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segunda-feira, abril 07, 2014

"o sentido da vida"...

Nunca tinha ouvido falar deste senhor. 
Com a morte dele fui pesquisar o porquê do mediatismo.







Nesta pequena pesquisa tropecei também aqui...


"Imagine life as a game in which you are juggling some five balls in the air. They are Work, Family, Health, Friends and Spirit, and you're keeping all of these in the air.
You will soon understand that work is a rubber ball. If you drop it, it will bounce back. But the four others – Family, Health, Friends and Spirit – are made of glass. If you drop one of these, it will be scuffed, nicked, damaged, even shattered. And it will never be the same.
Work efficiently during office hours and leave on time. Give proper time to your family and friends, and take a decent rest.
Value has a value only if its value is valued"
Bryan Dyson's 30-Second Speech

segunda-feira, abril 18, 2011

moinha...


Frase do dia, do mês, do ano: "Só sei que nada sei..."

e tenho tudo por aprender...

segunda-feira, agosto 17, 2009

não é meu...


"A noite é uma pessoa muito sensível

A noite sensibiliza as pessoas. Já vi muitos duros a entrarem na noite e a chorarem como uns meninos à sua saída. E porquê? Voltamos ao mesmo, porque são duas coisas muito diferentes. De dia, não há tempo para nada e as pessoas raramente dão atenção umas às outras, porque é mais importante responder ao email, à outra chamada, à reunião com o patrão que está furioso por determinada tarefa não ter sido cumprida. E tem razão, porque é de dia. Pois fosse à noite, e possivelmente já não a teria. Aliás, não deve ser por acaso que muitos dizem que o que é verdade à noite, de dia é mentira. Ou será o contrário? Não façam caso, as pessoas são mais sinceras à noite, isso eu sei. E têm mais tempo umas para as outras. À noite as pessoas ouvem-se, interessam-se umas pelas outras e não hesitam em querer saber um pouco mais de alguém que acabaram de conhecer. De dia é impossível. Não há tempo para conhecer ninguém. É impensável que alguém nos ligue para o telemóvel a meio da tarde e nos diga: E que tal irmos até ao bar beber qualquer coisa?" Sobretudo, se percebermos que estamos em alto mar e ainda nos faltam 4 meses para acabar a marinha.


A noite sensibiliza e eu só de pensar nisso choro. A imagem que de resto gostaria que tivessem neste momento, é a de um homem que sou eu, com os ombros fixos a esta secretária e as mãos na cabeça a dizer repetidas vezes " Oh não, oh não!". Só que entretanto perguntam-me : Mas alguém que está com os ombros fixos na secretária e as mãos na cabeça, como pode estar a escrever exactamente isso? Então deixaria de ter as mãos à cabeça? Forçosamente teria que descolar os ombros da secretária? Não poderia escrever desse modo? Pois bem, para esses a minha resposta é muito clara: onde é que íamos?

Exactamente, falávamos sobre estas diferenças , entre a noite e o dia e os comportamentos a que cada um nos leva. O problema da noite é que sugere. O dia – a sugerir – só se for a cadeia de supermercados. E eu prefiro o pingo doce, embora nunca lhes perdoei terem retirado o cartão dominó.
É isto sim, o dia é um trabalhador incansável que só pensa na carreira e nos aumentos salariais e nas entrevistas ao semanário económico a explicar tão bons resultados para a sua empresa. A fotografia a cores a dizer. "Empresário de Sucesso". Já a noite não é nada disto. A noite preocupa-se com ela, com o bem estar dela, com os amigos, com viver uma vida que – à partida e até provas em contrário – é de passagem única. É isto. E saber, que depois disto nada. A noite penso que terá percebido isto antes do dia. E isso faz dela mais feliz. Ou muito próximo disso.

Daí toda esta sensibilidade e só isso explique o quanto nos abraçamos à noite, o quanto nos amamos à noite, o quanto telefonamos à noite uns para os outros sem que isso pareça ridículo ou motivo de desconfiança para um notório desequilíbrio emocional. Uma chamada às 5 da manhã para dizer que gostávamos de alguém verdadeiramente e lhe pedirmos desculpa de um erro ao outro é diferente de uma chamada às 5 da tarde, com idêntica confidência. Às 5 da tarde é óbvio que essa pessoa estará com um fortíssimo desequilíbrio emocional e precisa de acompanhamento médico. Ás 5 da manhã é óbvio que está completamente embriagada e a precisar que alguém a leve a casa.De preferência, já."
Fernando Alvim


PS: É louco e subtil...

Gostei e pronto.

quinta-feira, outubro 23, 2008

saborear...

«Manhãs. O cheiro a terra molhada. Cantar no carro. O Outono. Praia, sempre. Ligar o microfone. O gozo de ir. O prazer de estar. Ler e pensar: é isto mesmo. O que não se diz e o que tem de ser dito. O Amor. Verão. Lugares. Amigos, todos. Tinto. A bola. À mesa com quem se gosta. O mar. Chuva na janela. Chocolate. Sexo. Água fresca. Dever cumprido. Olhares que decidem. Todos os dias trazem qualquer coisa…»

Em Dias Úteis




(...) viajar, as loucuras que se cometem, a neve, abraços com sentido, rir com vontade (...)


domingo, setembro 28, 2008

artigos...


“Há uns tempos a Joana
- Pai, acabei um namoro à homem

Perguntei como era acabar um namoro à homem e vai a miúda
- Disse-lhe o problema não está em ti, está em mim
o que me fez pensar como as mulheres são corajosas e os homens cobardes. Em primeiro lugar só terminam uma relação quando têm outra. Em segundo lugar são incapazes de
- Já não gosto de ti
- Não quero mais
chegam com os discursos vagos, circulares
- Preciso de tempo para pensar
- Não é que não te amo, amo-te, mas tenho de ficar sozinho umas semanas
ou declarações do género de
- Tu mereces melhor do que eu
- Estive a reflectir e acho que não te faço feliz
- Necessito de um mês de solidão para sentir a tua falta
e aos amigos
- Dá-me os parabéns que lá me consegui separar da chata
- Custou mas foi
- Amandei-lhe aquelas lérias do costume e a gaja engoliu
- Chora um dia ou dois e depois passa-lhe
e pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres. Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarreias, nos colarinhos das camisas, nas gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça. Não se apaixonam: entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com quem estão. Ignoram o que ela sonha, instalam-se no sofá do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar (chichi, sede, fome, a janela de que se esqueceram de baixar o estore)
ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas, pá, e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarrados à gente, no rónhónhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo? Lembro-me de um sujeito que explicava
- O maior prazer que me dá ter relações com a minha mulher é pensar que durante uma semana estou safo
e depois pegam-nos na mão no cinema, encostam-se, colam-se, contam histórias sem interesse nenhum que nunca mais terminam, querem variar de restaurante, querem namoro, diminutivos, palermices e nós ali a aturá-las. O Dinis Machado contava-me de um conhecedor que lhe aclarava as ideias
- As mulheres têm fios desligados
e um outro elucidou-me que eram como os telefones: avariam-se sem que se entenda a razão, emudecem, não funcionam e o remédio é bater com o aparelho na mesa para que comecem a trabalhar outra vez. Meu Deus, que pena me dão as mulheres. Se informam
- Já não gosto de ti
se informam
- Não quero mais
aí estão eles a alterarem a agressividade com a súplica, ora violentos ora infantis, a fazerem esperas, a chorarem nos SMS a levantarem a mãozinha e, no instante seguinte, a ameaçarem matar-se, a perseguirem, a insistirem, a fazerem figuras tristes, a escreverem cartas lamentosas e ameaçadoras, a entrarem pelo emprego dentro, a pegarem no braço, a sacudirem, a mandarem flores eles que nunca mandavam flores, a colocarem-se de plantão à porta dado que aquela puta há-de ter outro e vai pagá-las, dispostos a partes-gagas, cenas ridículas, gritos. A miséria da maior parte dos casais, elas a sonharem com o Zorro, Che Guevara ou eu, e eles a sonharem com o decote da vizinha de baixo, de maneira que ao irem para a cama são quatro: os dois que lá se deitam e os outros dois com quem sonham. Sinceramente as minhas filhas preocupam-me: receio que lhes caia na sorte um caramelo que passe à frente delas nas portas, nãos lhes abra o carro, desapareça logo a seguir por chichi-sede-fome-persiana-mal-descida-e-os-ladrões-percebes, não se levante quando entram, comece a comer primeiro e um belo dia
(para citar noventa por cento dos escritores portugueses)
- O problema não está em ti, está em mim
a mexerem na faca à mesa ou a atormentarem a argola do guardanapo, cobardes como sempre. Não tenho nada contra os homens: até gosto de alguns. Dos meus amigos. De Schubert. De Ovídio. De Horácio, de Virgílio. De Velásquez. De Rui Costa. De Einzenberger. Razoável a minha colecção. Não tenho nada contra os homens a não ser no que se refere às mulheres. E não me excluo: fui cobarde, idiota, desonesto.
Fui
(espero que não muitas vezes)
rasca. Volta e meia surge-me na cabeça uma frase de Conrad em que ele comenta que tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que chega tarde demais. Resta-me esperar que não seja tarde para mim. A partir de certa altura deixa de se jogar às cartas connosco mesmos e de fazer batota com os outros. O problema não está em ti, está em mim, que extraordinária treta. Como os elogios que vêm logo depois: és inteligente, és sensível, és boa, és generosa, oxalá encontres etc., que mulher não ouviu bugigangas destas?
Uma amiga contou-me que o marido iniciou o discurso habitual
- Mereces melhor do que eu
levou como resposta
- Pois mereço. Rua.
Enfim, mais ou menos isto, e estou a ver a cara dele à banda. Nem uma lágrima para amostra. Rua. A mesma lágrima para amostra. Rua. A mesma amiga para uma amiga sua.
- O que faço às cartas de amor que me escreveu?
e a amiga sua
- Manda-lhas. Pode ser que lhe façam falta.
Fazem de certeza: é só copiar mudando o nome. Perguntei à minha amiga
- E depois de ele se ir embora?
- Depois chorei um bocado e passou-me.
Ontem jantámos juntos. Fumámos um cigarro no automóvel dela, fui para casa e comecei a escrever isto. Palavra de honra que na janela uma árvore a sorrir-me. Podem não acreditar mas uma árvore a sorrir-me.”

António Lobo Antunes In Visão


sexta-feira, julho 04, 2008

passado, presente e futuro...





"Everyone will be remembered and if that’s the case, you have to ask yourself: how do you want your story to go? How do you want to be remembered? By what you did for a living? What you accomplished? Or how you made people feel?

Every day’s another chance for you to decide who you want to be. A chance to challenge yourself. To be a different version of you, a braver version. A person who isn’t afraid to grab joy and take it for a spin.

Letting go is never easy because hanging on to the past feels good. But sometimes, it’s only when you let go that you can make room for the rest of your life to show up. But as hard as you think it will be to leave the old you behind sometimes when you do it’s the most alive you’ve ever felt. "

by Marin Frist at “Men In Trees"

segunda-feira, maio 19, 2008

piadética...





Quem se enquadra???

«Os "vinte", nos homens, são uma fase da vida em que se fundem, de uma forma incontrolável e quase imprevisível:
1. a constatação das nossas limitações físicas, mentais, biológicas (ou genéticas, se quiseres), culturais e de educação (o "input" durante a nossa infância, basicamente) - e simultaneamente uma luta contra estas restrições.
2. a procura de vermos satisfeitos os nossos desejos e impulsos sexuais mais selvagens e irreprimíveis (em termos práticos, vemos muitas mulheres que nos agradam / provocam, por um motivo ou por outro - não necessariamente só físico, e queremos "dominá-las" e "esgotar" este factor "desconhecimento e curiosidade", sendo a forma última dessa "possessão" a posse sexual - desculpa ser tão rude, mas os nossos instintos de reprodução controlam! depois é uma questão do quanto nos conseguimos "controlar" para os "evitar"...)
3. assunção de uma razão de ser e viver (que na maior parte das vezes tentamos relacionar e justificar, quase inconscientemente, com uma área vizinha à da nossa actividade profissional), associada à tentativa de se lutar pelos nossos objectivos "pessoais" (estes objectivos são, simplesmente, a resposta que damos à questão "Se não tivéssemos limitações de qq ordem, o que realmente gostaríamos de ter, ser e fazer?").
4. uma crescente necessidade de racionalizarmos o nosso comportamento e, em geral, do "funcionamento" de todos os detalhes deste mundo
5. a consciência entre a necessidade de se optar pelo vector variedade (+, no sentido de "festa!") e instabilidade (-, no sentido de "areias movediças") ou pelo par uniformidade (-, no sentido de "seca!") e estabilidade (+, no sentido de "protecção").
6. a tentativa de não admitirmos os (ou alguns) dos pontos anteriores.

Assim, se procurares uma justificação para o comportamento de um homem numa relação (pelo menos nesta década dos vinte, inícios de trinta), geralmente podes encontrar a resposta nos pontos 2 e 5. Também, por vezes, o ponto 3 pode desempenhar um papel (caso os objectivos de ambas as partes da relação sejam bastante distintos). O ponto 1 geralmente serve como estabilizador da relação. O ponto 4 pode entrar em jogo se a mulher tiver comportamentos demasiadamente "estranhos" (o que é bem diferente de "imprevisível"!). O 6 é a rebeldia que fica da década anterior... e é este ponto que o homem usa quando conta histórias rocambolescas à sua "companheira", tentando explicar o que se passa de "menos bom" na relação. Infelizmente, EM GERAL, são mesmos os outros pontos que mandam.»

fonte não revelada


sábado, janeiro 26, 2008

Literatura...

Dos tempos em que devorava livros como agora devoro chocolates...






“Quando te sentires perdida, confusa, pensa nas árvores, lembra-te da forma como crescem. Lembra-te de que uma árvore com muita ramagem e poucas raízes é derrubada à primeira rajada de vento, e de que a linfa custa a correr numa árvore com muitas raizes e pouca ramagem. As raizes e os ramos devem crescer de igual modo, deves estar nas coisas e sobre as coisas, só assim poderás dar sombra e abrigo, só assim, na estação apropriada, poderás cobrir-te de flores e de frutos. E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera a volta a esperar. Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te, e vai para onde ele te levar”


Susanna Tamaro - “Vai aonde te leva o coração”

Liberdade...

Porque foi, é e será sempre um tema muito presente...





“Cada um de nós é, no fundo, um ideia ilimitada da liberdade. Devemos rejeitar tudo aquilo que nos imponha limites. Aliás… dispomos de todas as possibilidades, da mais absoluta liberdade de escolha. Como num livro, onde cada letra permanece para sempre na página, a nossa consciência tem o direito de decidir o que quer ler e o que prefere deixar de parte…”



Richard Bach

E porque não?...

Last but not the least...



"O que o eu tem de único encontra-se precisamente naquilo que o ser humano tem de inimaginável. Só consegue imaginar-se o que é idêntico a todos, o que é comum a todos. O "eu" individual é aquilo que se distingue do geral, e é, portanto, aquilo que primeiro é preciso desvendar, descobrir, conquistar no outro."



"Eu não sei como o compendio suave de nossa existência pode estar atrelado a grosseira condição de nosso corpo. Nós, que nos pensamos seres feitos de idéias somos, na verdade, um fato incontestável e frágil como um galho. Talvez seja também fato as idéias das quais pensamos ser feitos, ou ainda o galho também seja uma idéia. Pouco importa. O que importa é a leveza dos movimentos não se curvarem ao vento, mas aos músculos. As concepções políticas estarem em células, e nossos sentimentos condicionados ao tempo que durar nosso sanguíneo fluxo ."



“Todos nós temos necessidade de ser olhados. Podíamos ser divididos em quatro categorias consoante o tipo de olhar sob o qual desejamos viver: A primeira procura o olhar de um número infinito de olhos anónimos ou, o olhar do público(…) Na segunda categoria, incluem-se aqueles que não podem viver sem o olhar de uma multidão de olhos familiares. São os incansáveis organizadores de jantares e de coktails. São mais felizes que os da primeira categoria porque, quando estes perdem o público, imaginam que as luzes se apagaram para sempre na sala da sua vida. É o que, mais dia menos dia, lhes acontece a todos. Os desta segunda categoria, estes sim, acabam sempre por conseguir arranjar os olhares que precisam. Vem em seguida e terceira categoria, a categoria daqueles que precisam de estar sempre sob o olhar do ser amado. A sua condição é tão perigosa como a das pessoas do primeiro grupo. Se os olhos do ser amado se fecham, a sala fica mergulhada na escuridão. Finalmente, há uma quarta categoria, bem mais rara, que são aqueles que vivem sob os olhares imaginários de seres ausentes. São os sonhadores.”




quinta-feira, outubro 18, 2007

plágio...


"O que é frágil garante a segurança.




E porquê? Já é assim também nas estruturas e nas instituições. O que é construído assentando na fragilidade, resiste mais facilmente às grandes transformações, aos sobressaltos inevitáveis do correr do tempo. Mas as revoluções fazem desmoronar tudo o que é rígido, burocratizado, empedernido. (…)Queremo-nos seguros da segurança que reside nos bens, na permanência em um lugar, nas coisas que dizemos nossas, nas decisões que julgamos tomar sozinhos. Buscar fragilidade é o contrário disso. É ser plasmável, capaz de vibrar com o que muda. As pessoas mais seguras – fiéis, coerentes, fortes – são paradoxalmente as mais frágeis – não da fragilidade das bonecas de louça da infância mas da fragilidade dos bambus que a tudo resistem. A fragilidade não é uma qualidade do carácter – é uma dimensão da inteligência. Como tal, oferece a segurança das coisas certas e maduramente reflectidas.”

Maria de Lourdes Pintasilgo


























É assim comigo, é assim contigo, connosco e com vocês.
É assim nas estruturas e instituições.
É assim e ainda bem que é assim... sou contraditória por ser temedora e amante das fragilidades, que nos fazem mais pequenos e grandes.



(A minha vontade era divulgar-te... até quando? assim tenho que "te copiar"...)

sexta-feira, maio 25, 2007

links...




"A luz que invade Lisboa derruba os meus medos e traz-me sensações guardadas há muitos tempos, quando os dias não tinham fim e as noites eram folgas que dava a mim própria a fim de descansar o corpo para novas brincadeiras. A luz que invade Lisboa traz fogo de vida à cidade, veste-a com uma cor que nenhuma outra no mundo tem, dá-lhe um encanto de menina e moça, faz de Lisboa saudade, palavra nossa, repartida de boca em boca.
Lisboa, cidade minha, cidade que roubei para amar eternamente, minha cidade. Hoje que renasces, olho-te da janela e vejo-te inteira, o Tejo, os barcos, o reflexo do sol na água, quase que ouço as conversas dos pescadores esquecidos no tempo, a azáfama das pessoas que correm, os prédios de todas as cores, as mil ruas cruzadas, o eléctrico que passa vagarosamente, o amarelo da Carris, ao longe canta-se o fado e perde-se uma vida de desgosto de amor, no céu mais azul que outros céus um avião desenha o que eu quiser ver, andorinhas voam em direcção a lugar nenhum, Lisboa, tu que assistes a tudo isto, tu que és maestro desta perfeita sinfonia, continua a deixar-te sempre invadir por esta luz triunfal, que apaga a chuva que há dias me escorria da cara, e me dá tanta vontade de viver assim, feliz – como os pescadores esquecidos no tempo, ou o eléctrico que passa, ou as andorinhas que voam em direcção a lugar nenhum...
"



aqui....

quinta-feira, dezembro 28, 2006

mensagem...

Carta (Esboço)


Lembro-me agora que tenho que marcar um encontro contigo, num sitio em que ambos nos possamos falar, de facto, sem que nenhuma das ocorrências da vida venha interferir no que temos para nos dizer.
Muitas vezes me lembrei de que esse sitio podia ser, até, um lugar sem nada de especial, como um canto de café, em frente de um espelho que poderia servir de pretexto para reflectir a alma, a impressão da tarde, o último estertor do dia antes de nos despedirmos, quando é preciso encontrar uma fórmula que disfarce o que, afinal, não conseguimos dizer.
É que o amor nem sempre é uma palavra de uso,aquela que permite a passagem à comunicação mais exacta de dois seres, a não ser que nos fale, de súbito, o sentido da despedida, e que cada um de nós leve, consigo, o outro, deixando atrás de si o próprio ser, como se uma troca de almas fosse possívelneste mundo.
Então, é natural que voltes atrás eme peças: "Vem comigo!", e devo dizer-te que muitas vezes pensei isso mesmo, mas era tarde, isto é, a porta tinha-se fechado até outro dia, que é aquele que acaba por nunca chegar, e então as palavras caem no vazio, como se nunca tivessem sido pensadas.
No entanto, ao escrever-te para marcar um encontro contigo, sei que é irremediável o que temos para dizer um ao outro: a confissão mais exacta, que é também a mais absurda, de um sentimento; e, por trás disso, a certeza de que o mundo há-de ser outro no dia seguinte, como se o amor, de facto, pudesse mudar as cores do céu, do mar, da terra, e do próprio dia em que nos vamos encontrar, que há-de ser um dia azul, de verão, em que o vento poderá soprar do norte, como se fosse daí que viessem, nesta altura, as coisas mais precisas, que são as nossas: o verde das folhas e o amarelo das pétalas, o vermelho do sol e o branco dos muros.

Nuno Júdice

quarta-feira, dezembro 27, 2006

tempestades...





«C'est alors qu'apparut le renard:
- Bonjour, dit le renard.
- Bonjour, répondit poliment le petit prince, qui se retourna mais ne vit rien.
- Je suis là, dit la voix, sous le pommier.
- Qui es-tu ? dit le petit prince. Tu es bien joli...
- Je suis un renard, dit le renard.
- Viens jouer avec moi, lui proposa le petit prince. Je suis tellement triste...
- Je ne puis pas jouer avec toi, dit le renard. Je ne suis pas apprivoisé.
- Ah! pardon, fit le petit prince.
Mais, après réflexion, il ajouta:
- Qu'est-ce que signifie "apprivoiser" ?
- Tu n'es pas d'ici, dit le renard, que cherches-tu ?
- Je cherche les hommes, dit le petit prince. Qu'est-ce que signifie "apprivoiser" ?
- Les hommes, dit le renard, ils ont des fusils et ils chassent. C'est bien gênant ! Ils élèvent aussi des poules. C'est leur seul intérêt. Tu cherches des poules ?
- Non, dit le petit prince. Je cherche des amis. Qu'est-ce que signifie "apprivoiser" ?
- C'est une chose trop oubliée, dit le renard. Ça signifie "créer des liens..."
- Créer des liens ?
- Bien sûr, dit le renard. Tu n'es encore pour moi qu'un petit garçon tout semblable à cent mille petits garçons. Et je n'ai pas besoin de toi. Et tu n'as pas besoin de moi non plus. Je ne suis pour toi qu'un renard semblable à cent mille renards. Mais, si tu m'apprivoises, nous aurons besoin l'un de l'autre. Tu seras pour moi unique au monde. Je serai pour toi unique au monde...
- Je commence à comprendre, dit le petit prince. Il y a une fleur... je crois qu'elle m'a apprivoisé...
- C'est possible, dit le renard. On voit sur la Terre toutes sortes de choses...
- Oh! ce n'est pas sur la Terre, dit le petit prince.
Le renard parut très intrigué :
- Sur une autre planète ?
- Oui.
- Il y a des chasseurs, sur cette planète-là ?
- Non.
- Ça, c'est intéressant ! Et des poules ?
- Non.
- Rien n'est parfait, soupira le renard.
Mais le renard revint à son idée:
- Ma vie est monotone. Je chasse les poules, les hommes me chassent. Toutes les poules se ressemblent, et tous les hommes se ressemblent. Je m'ennuie donc un peu. Mais, si tu m'apprivoises, ma vie sera comme ensoleillée. Je connaîtrai un bruit de pas qui sera différent de tous les autres. Les autres pas me font rentrer sous terre. Le tien m'appellera hors du terrier, comme une musique. Et puis regarde ! Tu vois, là-bas, les champs de blé ? Je ne mange pas de pain. Le blé pour moi est inutile. Les champs de blé ne me rappellent rien. Et ça, c'est triste ! Mais tu as des cheveux couleur d'or. Alors ce sera merveilleux quand tu m'auras apprivoisé ! Le blé, qui est doré, me fera souvenir de toi. Et j'aimerai le bruit du vent dans le blé...
Le renard se tut et regarda longtemps le petit prince:
- S'il te plaît... apprivoise-moi ! dit-il.
- Je veux bien, répondit le petit prince, mais je n'ai pas beaucoup de temps. J'ai des amis à découvrir et beaucoup de choses à connaître.
- On ne connaît que les choses que l'on apprivoise, dit le renard. Les hommes n'ont plus le temps de rien connaître. Ils achètent des choses toutes faites chez les marchands. Mais comme il n'existe point de marchands d'amis, les hommes n'ont plus d'amis. Si tu veux un ami, apprivoise-moi !
- Que faut-il faire? dit le petit prince.
- Il faut être très patient, répondit le renard. Tu t'assoiras d'abord un peu loin de moi, comme ça, dans l'herbe. Je te regarderai du coin de l'œil et tu ne diras rien. Le langage est source de malentendus. Mais, chaque jour, tu pourras t'asseoir un peu plus près...
Le lendemain revint le petit prince.
- Il eût mieux valu revenir à la même heure, dit le renard. Si tu viens, par exemple, à quatre heures de l'après-midi, dès trois heures je commencerai d'être heureux. Plus l'heure avancera, plus je me sentirai heureux. A quatre heures, déjà, je m'agiterai et m'inquiéterai; je découvrirai le prix du bonheur ! Mais si tu viens n'importe quand, je ne saurai jamais à quelle heure m'habiller le cœur... Il faut des rites.
- Qu'est-ce qu'un rite ? dit le petit prince.
- C'est aussi quelque chose de trop oublié, dit le renard. C'est ce qui fait qu'un jour est différent des autres jours, une heure, des autres heures. Il y a un rite, par exemple, chez mes chasseurs. Ils dansent le jeudi avec les filles du village. Alors le jeudi est jour merveilleux ! Je vais me promener jusqu'à la vigne. Si les chasseurs dansaient n'importe quand, les jours se ressembleraient tous, et je n'aurais point de vacances.
Ainsi le petit prince apprivoisa le renard. Et quand l'heure du départ fut proche:
- Ah! dit le renard... Je pleurerai.
- C'est ta faute, dit le petit prince, je ne te souhaitais point de mal, mais tu as voulu que je t'apprivoise...
- Bien sûr, dit le renard.
- Mais tu vas pleurer ! dit le petit prince.
- Bien sûr, dit le renard.
- Alors tu n'y gagnes rien !
- J'y gagne, dit le renard, à cause de la couleur du blé.
Puis il ajouta:
- Va revoir les roses. Tu comprendras que la tienne est unique au monde. Tu reviendras me dire adieu, et je te ferai cadeau d'un secret.
Le petit prince s'en fut revoir les roses:
- Vous n'êtes pas du tout semblables à ma rose, vous n'êtes rien encore, leur dit-il. Personne ne vous a apprivoisé et vous n'avez apprivoisé personne. Vous êtes comme était mon renard. Ce n'était qu'un renard semblable à cent mille autres. Mais j'en ai fait mon ami, et il est maintenant unique au monde.
Et les roses étaient bien gênées.
- Vous êtes belles, mais vous êtes vides, leur dit-il encore. On ne peut pas mourir pour vous. Bien sûr, ma rose à moi, un passant ordinaire croirait qu'elle vous ressemble. Mais à elle seule elle est plus importante que vous toutes, puisque c'est elle que j'ai arrosée. Puisque c'est elle que j'ai mise sous globe. Puisque c'est elle que j'ai abritée par le paravent. Puisque c'est elle dont j'ai tué les chenilles (sauf les deux ou trois pour les papillons). Puisque c'est elle que j'ai écoutée se plaindre, ou se vanter, ou même quelquefois se taire. Puisque c'est ma rose.
Et il revint vers le renard:
- Adieu, dit-il...
- Adieu, dit le renard. Voici mon secret. Il est très simple: on ne voit bien qu'avec le cœur. L'essentiel est invisible pour les yeux.
- L'essentiel est invisible pour les yeux, répéta le petit prince, afin de se souvenir.
- C'est le temps que tu as perdu pour ta rose qui fait ta rose si importante.
- C'est le temps que j'ai perdu pour ma rose... fit le petit prince, afin de se souvenir.
- Les hommes ont oublié cette vérité, dit le renard. Mais tu ne dois pas l'oublier. Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé. Tu es responsable de ta rose...
- Je suis responsable de ma rose... répéta le petit prince, afin de se souvenir. »


Le Petit Prince, par Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944).
Sou responsável pela minha rosa,
mesmo num planeta distante.