sábado, maio 30, 2009

bênção I...


No Domingo passado foi a Bênção das Pastas.
A cerimónia foi bonita, surpreendeu-me algum silêncio que se fez sentir e o respeito dos estudantes ali presentes, que, como disse o nosso Bispo, na sua maioria vão porque é tradição.
Eu fui para além da tradição, fui porque faz sentido para mim.
E fez sentido também nas palavras sensatas e adequadas que o Bispo nos dirigiu. Falou de bênção, abençoar, benzer... e no seu duplo sentido.
Somos benzidos (simbolicamente a nossa pasta e as nossas fitas) em acção de graças, porque, de facto, fomos abençoados em podermos ter chegado ao fim desta etapa. E devemos estar agradecidos pelos pais que nos proporcionaram estes anos, pelas aprendizagens várias que fizemos, académicas e não só, pelas pessoas. Abençoados porque terminamos o curso.
Mas também recebemos a bênção de quem pede para o futuro que se avizinha, em tom de 'súplica' para o trabalho que nos espera, novos desafios, a independência.

O nosso Bispo falou ainda dos valores que devemos preservar, justiça, igualdade, honestidade, solidariedade..
Senti-me abençoada, agradecida e confiante.


sábado, maio 23, 2009

retrospectiva...


Esta semana celebrei e celebro a vida.
Dei-me conta de como é ténue.

O João nasceu na 4ª feira, pelas 18h15. Chorou. Pesava 3470kg e vinha entre o azul e o roxo. Interroguei-me se seria normal. "Em cesarianas é normal". Mas demorou até ganhar o tom rosa, o tom de pele, demorou até que lhe apertassem os pés, até que o abanassem, aquecessem, lhe dessem oxigénio e ele começasse, lentamente, a abrir os olhos e a reagir. E demorou até eu me aperceber que foi um limiar muito pequeno entre um lado e outro da linha da vida. Fui ver o João no dia seguinte, peguei-lhe ao colo e já sorria. Tinha fome mas não queria leite artificial. E que bem que soube pegar-lhe ao colo e saber que pode ter anos de vida pela frente sem estar roxo ou azul.

A Beatriz nasceu na 4ª feira pelas 23h35. Demorou muito pouco até se decidir a conhecer o mundo que a esperava. Não a vi sair da barriga da mãe, mas esta disse-me que correu tudo bem. A Beatriz dormia quando a fui visitar no dia seguinte. A mãe não estava preocupada que ela deixasse de respirar. Mamou sem reclamações. Um parágrafo mais simples, mais pequeno.

Sim, dois seres indefesos, abençoados com a vida de maneiras bem diferentes.
Tal como nós, adultos, vamos sobrevivendo mais ou menos facilmente. Ténue.
Esta é a semana dos 'Joões', Joanas e Beatrizes. Grata pela vida.

quarta-feira, maio 20, 2009

versos...

Estava na 'inbox' há um mês, a um mês de completares o teu quarto de século. Hoje reli e gostei ainda mais, como tu gostas sempre e gostaste quando me enviaste.
Diz de ti, de mim, do que nos aproxima e nos é cúmplice, numa espécie de antítese daquilo em que acreditamos.
Costumo falar de ti como o 'meu eu masculino'.
Parabéns meu amigo, porque tu não usas máscaras...






Máscaras

São de veludo as palavras
Daquele que finge que ama

Ao desengano levo a vida
A sorte a mim já não me chama

Vida tão só
Vida tão estranha
Meu coração tão mal tratado
Já nem chorar me traz consolo
Resta-me só o triste fado

A gente vive na mentira
Já nem dá conta do que sente
Antes sozinha toda a vida
Que ter um coração que mente

Rodrigo Leão

segunda-feira, maio 18, 2009

retomar...


Não tenho "reflectido muito", também não tenho propriamente rezado e, talvez por isso, não tenho partilhado aqui. Porque escrever é sempre o resultado de uma reflexão e/ou oração, enquanto coisas distintas, mas complementares.
Escrevo "mais ou menos" em directo...

E escrevo precisamente, e de um modo contrário ao que habitualmente acontece, para me obrigar a parar, sentir e rezar.

Não sei se foi o tempo que passou a correr ou se fui eu que fugi do tempo. Acho que somos sempre nós quem foge, porque o tempo existe sempre. Fugimos de quem somos ou de quem queremos ser, porque requer de nós exigência, dedicação, entrega, partilha. E somos nós nas relações, na proximidade com o outro, nas escolhas, na integridade e na fidelidade a nós mesmos.

De certo modo, tenho sido infiel a mim, quando não escrevo diariamente sobre os versos do Pessoa, quando não dou espaço e tempo ao coração, quando não 'recordo' cada dia que vivo e repenso o dia de amanhã.
E isso reflecte-se num sentimento de vazio, por entre o cheio dos meus dias, cheios de gente, de afazeres, de responsabilidades, de metas... que, se não integro e não rezo, não vivo plenamente.
Para hoje e amanhã, e depois de amanhã: voltar à minha agenda...



quarta-feira, maio 13, 2009

'10' memórias num só post...


-1-
De 6 a 12 horas de espera. Algumas dores musculares, algum cansaço, dissipado na vontade de estar ali, não estar só, mas sermos um só, em tons amarelo, a esvoaçar.
Às 12 badalas as lágrimas, não minhas, mas de quem sente de outro modo, a tal hora... a hora DA serenata.
"Gravado levo o fado e a balada
No peito pr'a toda a vida
A negra capa traçada
Chegou a hora da partida".
Para mim, alegria entre a nostalgia, a tal balada do 6º ano Médido, cantada e tocada por amigos, para acrescer ao orgulho de terminar, terminar bem.


-2-
Quem vem por bem bem-vindo é! Presença assídua, em 7 anos de Coimbra, em mais anos de vida. Desta, vieram também amigos de outras andanças, das que fazem crescer, e ,tudo junto ,numa amálgama de laços e comemorações. 'Já vim à Queima'. E eu 'vi'-te cá!

-3-

A falta que fazes. Porque desta regresso sem ti a casa. E é inédito em tantos anos de Universidade. Mas ainda assim marcas presença e fazes-me rir e fazes-me bem. É o último, estou feliz e sei que partilhas da sensação!

-4-

Cartolas e bengalas. O cortejo. As cores. Os banhos. A multidão, quem nos é querido, que nos quer bem, a quem devemos o estar aqui e o ser também. A "evolução", a (des)inibição, os rostos que passam, que sorriem. Chegar e não chegar, gargalhadas muitas. Bengaldas e presenças que são essenciais.
À noite o último "Quim", que ficará sempre em noites de Queima e nada mais que isso. Onde os corpos mexem, porque estão programados ao som habitual... e se dança e se canta, como se o amanhã tardasse e tarda mesmo..


-5-

O último (palavra omnipresente) jantar de curso. Atípico, pela tranquilidade e pelas ausências. Ainda assim o nosso jantar, o nosso ano, 2003/2009, que alguém gravará um dia no Penedo (tu?)

-6-
Alusão à portagem, porque é de todas as noite, é o princípio e o 'fim'. O Guitarras, Aeminium, Toledo, Montanha, Briosa... quem não regista? Os finos que passam a metade do preço a meio da noite? Os transeuntes alcoolizados, outros menos, O ponto de encontro.

-7-
Grande noite, grande noite, hoje vai ser a grande noite... O regresso do (último) jantar cá em casa, onde cabem 2 ou 3, cabem 33... Esse chá, que não é das 5, mas é tão divertido que só o pensar ir diverte. Mais uma vez não desapontou. E foi também a confirmação dos reencontros desta Queima. Que bem que sabem. O esferovite, aquela "piscina", a euforia, os olhos brilhantes...


-8-
A praça de touros e os corajosos (ou aparentemente) que enfrentam os cornos afiados. Antes ,a nova mistura de fitados e cartolados que entra de pasta em punho, bem no alto e grita e salta.
De novo o arco-íris, de novo o colectivo, de novo nós, ali.
E a surpresa do jantar ganho com tanto mérito, a surpresa da espontaniedade, dos brindes, dos abraços, em pares emparelhados, por ironia dos nomes (não do destino), que nos juntou até hoje. Fica na memória, porque foi talvez o nosso mais memorável jantar!


-9-

Quem canta seu mal espanta. Não espanta a fome da espera, nem a sede da digestão. Mas espanta a tristeza. E a noite acaba com a luz do dia, em ambiente 'familiar', com a certeza de que será a última queima, porque aqui se esgota o sentido e se esgota bem.

-10-
Sem angústias, sem lamentações. Dias de liberdade, de cansaço do corpo, mas descanso da alma! Tranquilidade, serenidade, alegria. Fim. E para o ano não há mais :)

segunda-feira, maio 11, 2009

o certo seria...


Mas não!
Acordei com a chuva a bater na minha clarabóia. É uma sensação boa, reconfortante, em dias de Inverno, quando temos o dia livre para ficar embrulhados numa manta no sofá a ver filmes parvos.
A primeira sensação, ainda meio a dormir, foi essa... que bom... eu quentinha aqui de baixo... a chuva lá fora. E hoje nem sequer tenho que sair de casa.
Entretanto acordei e percebi que é dia 11 de Maio! Logo... pico da Primavera!
Sei que sou um pouco chata com este assunto mas enquanto tomava o pequeno almoço e via o Minuto Verde na TV descobri que estamos na:

Semana oficial do Sol em Portugal: de 9 a 17 de Maio de 2009

Portanto... alguém me explica porque não posso eu vestir saias, acordar com um sorriso de orelha a orelha e ter muita vontade de sair de casa?

Volta de vez!!Oh por favor!!!



sábado, abril 25, 2009

marcos...

Depois do 2º lugar no Cortejo dos Grelados...


O primeiro lugar na Récita das Faculdades!

PS: Com o orgulho de reavivarmos e honrarmos a tradição!

domingo, abril 19, 2009

assim...

já me parece bem!

sábado, abril 18, 2009

às vezes...


não parece...

sexta-feira, abril 17, 2009

duplo sentido...


Está frio do lado de fora...

quinta-feira, abril 16, 2009

em dias de chuva...



Como a maior parte dos mortais do mundo ocidental, sigo alguns blogs.
Já há uns dias que não fazia a ronda e deparei-me, num dos blogs de pessoas que não conheço, com uma onda de mudança, de optimismo e felicidade interior.
Fiquei com um misto de sensações entre: alegria porque a pessoa em causa, finalmente, se mostra feliz; esperança, por perceber que pode demorar, mas é possível voltar a sentir plenamente aquela sensação; "inveja", porque eu continuo à espera; inquietação, que me move entre a esperança, a alegria, o desânimo, a paciência ...


Transportou-me para outras reflexões, acho que recorrentes, talvez mais do mesmo.



É importante saber esperar sem desesperar. É importante mantermo-nos alegres e perseverantes. Procurar estar e agir no sentido do bem, para nós e para os outros. E inquietarmo-nos e desinquietarmo-nos, porque a agitação interior faz-nos reagir. "O medo faz-nos perder a consciência", mas faz-nos também ganhar coragem para arriscar e para nos transcendermos.


Tenho-me apercebido estes dias que a vida pode ser, e é, extraordinária, mas os dias não são todos extraordinários, nem as semanas, nem os meses. E tenho a sensação que quanto mais se cresce mais duras são as opções que a vida nos impõe e isso requer maiores níveis de atenção, para que as consequências/frutos das escolhas que fazemos sejam o melhor possível, dentro do que é possível. Tenho tido a sensação de que a vida não é, nem se avizinha, de facto, fácil e doce. O que não faz dela (de todo) má, apenas exigente, às vezes de mais.



Por outro lado a vida é feita por nós. O acaso tem um peso
minor. Mas o papel do outro, se por vezes nos liberta, outras vezes limita-nos. "A minha liberdade acaba quando começa a liberdade do outro". Continuo a ter alguma dificuldade em perceber e interpretar esta frase. Mas tem o seu 'Q' grande de verdade. E o "agir como se tudo dependesse de mim" é uma falsa verdade, porque muito pouco depende de mim, a partir do momento em que vivo em sociedade e interajo.


Haja optimismo! Regressem os dias de sol!


segunda-feira, abril 13, 2009

Aleluia!Aleluia!



Sábado de Aleluia!

1 - O Forno 'da minha aldeia', onde nasci e vivi na infância, era todo em pedra. Com o tempo foi sendo modernizado e agora tem tecto de cimento e 2 janelas com telhas de vidro, para deixar entrar a luz. Tem capacidade para cerca de 25 pães.
Desta vez, cozeu 22 pães, 65 fálgaros e uma bola de carne.
O meu dia começou cedo (para férias), mas o pão já estava amassado! Ainda assisti ao amassar dos fálgaros e ajudei em tudo o que a minha avó pediu e permitiu.


2 - Lembro-me daquela cozinha no andar de baixo e dos jantares em família. Éramos muitos, mas sentávamo-nos todos à mesa, uma mesa comprida. Desta vez tivemos que usar o balcão do "mini-bar", uma mesa extra e, ainda, revezarmo-nos na mesa principal, para jantarmos todos. Um dos meus tios mais velhos foi buscar a guitarra portuguesa e começou a tocar (um pouco desafinada) e as minhas tias e primas começaram a cantar, de copo na mão e xaile às costas. Em tom muito desafinado e várias mudanças de tons em cada verso. Cantei também, acho que desafinei como todos.


3 - A minha avó tem 76 anos. Queria ter a força dos braços nas pernas e conduz um tractor vermelho com mais de 30 anos. Faz duas fornadas num sábado e dá metade do que coze.


Recordar (no duplo sentido de quem lembra e traz ao coração).
Numa das vezes que fiz o caminho de casa da avó ao forno da aldeia, lembrei-me de uma frase que ouvi no último filme que citei: "Lembra-te das tuas origens..." "Mantém-te íntegra, lembra-te quem és e de onde vens."


terça-feira, abril 07, 2009

recomendo...

Persepolis

Do filme:

1 -
O direito à i
gualdade. A igualdade no que refere ao ser humano, que nasce desigual e vive desigual, consoante a parte do mundo em que está inserido.
Fui ver o filme com a expectativa do mesmo retratar o papel da mulher num contexto islâmico, num contexto de guerra. E por, isso, antes de ir para lá, permiti-me pensar que não consigo, de todo, compreender esta "eterna guerra de sexos" e muito menos a sua origem. O que devia ser complementaridade, crescimento, aprendizagem, é, (arrisco-me a dizer) na maior parte do mundo, desigualdade e injustiça. E não consigo compreender de onde vem, o que motivou a "supremacia" do masculino e a "minimização" do feminino. O direito à igualdade incorpora o direito à diferença, à heterogeneidade, à cumplicidade. Pelo menos assim deveria ser.

Paralelamente a isto está a eterna questão das diferenças culturais (serão?), civilizações, fundamentalismos, união, liberdade (ou falta dela), medo, repressão, emigração, sobrevivência, e o factor 'acaso', que define os direitos e os não direitos com que nasce uma pessoa, e todas as consequências inerentes ao mesmo
(que, quanto a mim, foi o ponto central do filme).

2 -
Somos pequenos e limitados. Eu sou. Descobri ontem que data de 1978 (só e somente 31 anos) a dita "revolução" iraniana que traduz lindamente a expressão: "andar de cavalo para burro". E senti-me miserável porque não posso dizer que "sei tão pouco", quando não sei nada! História, culturas, política, guerras, estados sociais... o mundo, o nosso mundo, este em que eu vivo, e nós vivemos, e em que fui abençoada ao ter nascido em terras lusas, e isso me deveria dar mais deveres que direitos (como ouvi uma vez do Dr. Fernando Nobre)... E o meu (nosso) papel de cidadã(os) começa na informação e actualização. A tomada de consciência e o conhecimento são o primeiro passo.



dizem-me...



(...) o meu 'barómetro' diz-me que ando demasiado 'em baixo'...





segunda-feira, abril 06, 2009

sugestões...


No cinema













Gran Torino
- Uma lição de vida...



Na TV














NÓS
- Domingo +/- 10h

















Câmara Clara
- Domingo +/22h30


















Conta-me como foi
- Domingo +/ 21h20


domingo, abril 05, 2009

frutos da Guiné...

Ouvi, por acaso, na Rádio África, no programa "Escrever na água".
Fiquei curiosa. Fica a dica, um livro de poesia da Guiné Bissau...


"Guiné Sabura Que Dói"


"Tony Tcheka, de 56 anos, é um dos poetas que participa da primeira publicação de poesia na Guiné-Bissau, em 1976, em uma antologia intitulada “Mantenhas para quem luta”. Junto com mais 12 poetas, chamados por Mário Pinto de Andrade de “meninos da hora de Pindjiguiti”, faz naquele momento uma poesia engajada, ligada à independência da Guiné-Bissau em 1975. Foi um dos fundadores da UNAE - União dos Escritores da Guiné-Bissau, também é jornalista e agitador cultural."


Um pouco mais aqui e aqui.
(Se alguém souber onde posso encontrar o livro, agradeço a informação)

sábado, abril 04, 2009

no abstracto...



















Dizia uma pessoa amiga, há dias, qualquer coisa como: "Não se pede amor". Ao que eu diria que o amor, de facto, não se pede, muito menos se pedincha.


Numa visão mais abrangente pode-se falar de amor, tal como de amizade e de afectos. Sejam sentimentos ou gestos, manifestando-se de variadas formas, são gratuitos e, na sua essência, desinteressados.

Estudos recentes dizem que são fruto de mecanismos cerebrais, explicáveis portanto, contrariando a velha teoria do que não se explica, o universo da alma e do coração.


Em qualquer caso, a amizade dá-se ou retribui-se, o amor faz-se sentir e os afectos são talvez a manifestação visível e palpável deste "universo". Não se pedem. Porque quando se chega ao ponto de "pedir", de formas explícitas ou implícitas, conscientes ou inconscientes, entra-se no campo da exigência desmedida, da insistência desmesurada, em que o outro se sente ameaçado, sente a sua liberdade posta em causa. Entra-se no campo da insegurança e desconfiança, numa ruptura inconsciente que motiva, de parte a parte, a gestos e atitudes que nada têm a ver como amor e/ou amizade.

E, por razões objectivas ou por "razões que a própria razão desconhece", as dissonâncias no ser e no estar acontecem. E, a certa altura, vive-se uma situação unidireccional, em que apenas um dos lados procura e se dá. O difícil é perceber quando se atinge o tal ponto 'sem retribuição', o ponto em que é quase 'inevitável' pedir.

E é preciso estar atento para se saber quando a motivação é virada para fora ou para dentro. Quando não 'insistir' é a melhor forma de fazer bem ao outro e a si mesmo.
E pensar que, no universo, "nada de perde, tudo se transforma".



sexta-feira, abril 03, 2009

há dias...



sábado, março 28, 2009

árido...







sexta-feira, março 27, 2009

inquietações....



Penso várias vezes na vocação dos professores. Ensinar e explicar a quem não tem capacidade de compreensão e apreensão pode ser uma tarefa bem difícil, bem ingrata.

É tremenda a sensação de impotência, de frustração e tristeza, quando tento explicar ou fazer perceber o óbvio. E não se trata do que é óbvio para mim e menos óbvio para alguém, refiro-me ao que é claramente perceptível por quem mantém inalterado, cognitivamente, o estado de consciência e de raciocínio.

Chega a ser desesperante a percepção, de fora, do que está certo ou errado, do que está bem e mal, e de como as coisas são simples e resolúveis. E este desespero cresce quando se esgotam as palavras, os gestos, os argumentos, as justificações, as imagens; quando se esgotam as ferramentas...


Isto há-de acontecer com alguns professores relativamente a alguns alunos que não têm, por razões várias, inatas ou adquiridas, a tal capacidade de encaixe. Isto acontece no consultório, acontece com pessoas que nos são próximas.

Dá a sensação que do lado do receptor há um 'bloqueio cerebral' que não deixa ver, ouvir, perceber... e a impotência vem quando se sente a pessoa a dissipar-se, a perder-se, a afastar-se, porque se cria um fosso de linguagem, de comunicação.


Não desistir é respirar bem fundo todos os dias e esperar que a persistência vença essa 'força da natureza'. Não desistir é ter esperança que o coração também 'fale' e que o olhar vá mais fundo, para lá dos hemisférios, e chegue ao ponto onde se 'faz luz'. É esperar que uma outra "força da natureza' se sobreponha e tudo fique, novamente, mais claro.