terça-feira, fevereiro 24, 2009

on-line...



também
Gostei...

"Estou a agradecer que me lembrem
que o amor não é sempre difícil,
ou melhor, estou a agradecer
que haja uma banda sonora para
quando a vida não é difícil – ou até
para quando é, mas está sol e as
coisas acabam por se resolver."


segunda-feira, fevereiro 23, 2009

ando a cantar...



Do it the hard way,

and it's easy sailin'.
Do it the hard way,
and its hard to loose.
Only the soft way
has a chance of failing.
You have to choose.

I took the hard way,
when i tried to get you.
You took the soft way,
when you said: We'll see.
Darling, now i let you
do it the hard way,
now that you want me.

sábado, fevereiro 14, 2009

acordes...



sexta-feira, fevereiro 13, 2009

tendências...

Política.
Porque somos cidadãos e devemos votar.
Porque é importante estar informado e saber discutir.



AQUI
























E
AQUI























terça-feira, fevereiro 10, 2009

pecado mortal...




















Pecamos por acções, pensamentos, palavras e omissões. Diria que pecamos também por negligência. Se o pecado mortal é o que mata a nossa relação com Deus, há também "pecados" que matam a nossa relação com os outros. Nesse sentido, creio que, tal como com Deus, as relações se reconstroem com o arrependimento, que implica sentimento profundo de não voltar a "pecar" (diferente de remorso ou desculpa). Arrependermo-nos ultrapassa a tomada de consciência de que fizemos algo que poderíamos ter feito de outro modo. É o sentimento sincero de não querer repetir, de querer ser/fazer diferente.
"Posso perdoar, mas nunca esqueço". Não temos que esquecer, a memória faz de nós também aquilo que somos. Mas perdoar é também saber ser grandioso. Perdoar e amar em seguida torna-nos um pouco mais próximos do humano.

É uma aprendizagem, esta do arrependermo-nos. É outra grande aprendizagem, esta de sermos capazes de perdoar. A nós e aos outros. É, por fim, uma última aprendizagem, sabermos aceitar o perdão.



domingo, fevereiro 01, 2009

dicas...


Há já algumas semanas vi o filme "A Troca". Fiquei com vontade de falar e de escrever sobre esperança. Do filme ficou a dúvida... se a esperança é boa ou má. Ou melhor, em que situações é que devemos ter esperança. Porque, à partida, a esperança é uma emoção boa.
Mas do filme saí confusa. Porque ter esperança pode significar lutar, mas pode também significar ficar à espera, à espera até ao fim. É acreditar que é possível ,contra todas as evidências e abdicar de viver em prol de "esperar". E neste caso não consigo avaliar se a esperança é uma emoção que valha a pena.
Vale a pena ver o filme e ficar a pensar nisso. Vale sempre a pena ficar a pensar em questões que em teoria têm uma solução diferente da prática. Porque uma coisa é nós avaliarmos "de fora", outra coisa é passarmos pelas situações e não conseguir premeditar como reagiríamos.


sábado, janeiro 31, 2009

pessoas...


A minha professora de português do secundário (foi sempre a mesma) chamou-me um dia no fim de uma aula e disse-me: " A menina não anda bem!" Eu sorri e perguntei porque dizia ela aquilo, ao que ela me respondeu que eu estava menos participativa nas aulas, menos segura e confiante nas minhas participações e com um ar recatado, pouco espevitado, como era meu habitual. Que marcava pouco as minhas opiniões, que não me voluntariava e que ela tinha que me interpelar, pedir para comentar em vez de me pedir contenção face ao resto da turma. Ela não sabe que foi ela quem me fez questionar pela primeira vez em ser médica, que me despertou a sensibilidade, o raciocínio. Não sabe que me deixava a pensar tantas vezes, e que foi nessa altura que comecei a olhar para mim, para os outros. Foi exemplo de perspicácia, atenção, amizade, exigência, e bom senso. Arrojada também, contestatária, revolucionária. Sempre lutadora. Dizia sim quando pensava sim, não quando pensava não. Sem ser conservadora, sabia que havia limites, fronteira. Ensinou-me que o eu toca no outro e há que ter isso em conta nos passos que damos, para não magoar as pessoas de quem mais gostamos. Lembro-me de perceber que teria que saber ter preserverança (na altura não lhe chamei esse nome), que teria que saber abdicar de desejos próprios e manter o que me era querido.

Alda. Às vezes vem-me à memória. Recordo o que aprendi com ela, acho que para me (re)centrar. Recordei-a talvez para me voltar a lembrar que mereço votar a ser espevitada!





quarta-feira, janeiro 28, 2009

filosofias...


Quando falámos do sentido da vida, quando procurámos uma explicação, quando tentámos encontrar o sentido da vida em/com Deus...

ele disse: "Somos nós quem dá sentido à vida. Somos nós quem dá sentido ao que acontece de bom e de mau."

Em última instância, os acontecimentos da vida têm o sentido que nós lhes quisermos dar. E a inteligência está no procurar/encontrar um sentido que nos faça sempre ser mais, ser melhor, ser para fora, ser felizes ou caminhar no sentido da felicidade. O sermos Cristãos permite-nos ter mais algumas ferramentas para perceber o tal sentido das coisas, sem que sejamos marionetas de Deus, porque efectivamente não somos, na nossa condição de seres livres.
Fazemos constantemente uma leitura de tudo, agimos mediante o que os nossos olhos nos dizem, mas também pelo que o coração sente, e, acima de tudo, pelo que o cérebro dita.

E o ser feliz é conseguir dar sempre um sentido positivo à vida, sentido esse que pode não ser alegre, pode não ser o que esperávamos, mas é o que nos faz andar em frente.


quinta-feira, janeiro 22, 2009

conceitos...


- "Mas tu és céptica!"
(... silêncio)
- "Pois sou! E isso é bom ou mau?"


cepticismo (derivado do verbo grego σκέπτομαι, transl. sképtomai, "olhar à distância", "examinar", "observar") é a doutrina que afirma que não se pode obter nenhuma certeza a respeito da verdade, o que implica numa condição intelectual de dúvida permanente e na admissão da incapacidade de compreensão de fenômenos metafísicos, religiosos ou mesmo da realidade.

Sou céptica sim. Acho que "faz parte da minha natureza", ser atenta, meio "desconfiada", ser observadora, cautelosa...
Característica minha esta que choca constantemente com uma outra, a impulsividade.


Confio em muito poucas pessoas. E tenho a sensação de que cada vez mais vou confiar menos. Talvez por estar calejada, talvez porque crescer e entrar a fundo no mundo dos adultos, do trabalho, dos conflitos de interesses, de relações, de responsabilidades, implique isso mesmo.

Fico a remoer muitas coisas, a analisar, dou passos em frente, mas também alguns atrás, sempre em busca da tal verdade.


O problema é quando a minha verdade não condiz com a verdade do outro, e não implica isso que haja falta de verdade de uma das partes.

Não compreendo tudo, não compreendo algumas pessoas, algumas atitudes. Porque na minha verdade há coisas tão óbvias, tão evidentes, que me é difícil, em algumas situações, pôr-me na pele de outrem. E tenho ânsia de compreender, de aceitar.

E debato-me constantemente na fronteira do cepticismo, razão, justiça, sinceridade. Porque a tentação inconsciente, por vezes, é meter tudo no mesmo saco.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

curtas...





"Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade."

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade."

Carlos Drummond de Andrade
Há dias em que isto é claro.
Há dias em as palavras perdem o sentido...
Na maior parte dos dias, o sentido das frases esgota-se nalgumas palavras.


segunda-feira, janeiro 19, 2009

roubado...

não resisti ao "furto" ...


Tenho esperança? Não tenho..
Tenho vontade de a ter?
Não sei. Ignoro a que venho,
Quero dormir e esquecer..

Se houvesse um bálsamo da alma,
Que a fizesse sossegar,
Cair numa qualquer calma
Em que, sem sequer pensar,

Pudesse ser toda a vida,
Pensar todo o pensamento..
Então [...]


Fernando Pessoa





Há por lá o caderno e o diário também, mas recomendo o poemário. Sempre a boa sensação de que Pessoa não se esgota, a descoberta constante de novos versos!



segunda-feira, janeiro 12, 2009

letras...





Na Guiné cantámos muitas vezes.
Lembro-me muitas vezes.
Hoje lembrei-me.

domingo, janeiro 11, 2009

imagens...




Hoje, ao final da manhã, começou a dar uma reportagem na RTP, "Revista do ano 2008". Não pude ver, mas vi os 5 minutos iniciais, em que o José Alberto Carvalho introduziu a mesma com este vídeo. Explicou que, de entre as milhares de mensagens que circularam de boas festas, uma continha a sugestão deste mesmo vídeo, como símbolo e desejo de esperança para 2009.

Ao rever agora o vídeo no youtube, com a 'musiquinha' estilo TVI, melodramática, o impacto não foi grande, mas quando o vi pela manhã aquele minuto e meio inquietou-me, deixou-me a pensar em várias coisas ao mesmo tempo, nomeadamente na quantidade de pessoas que me "protegem constantemente do touro", e nas pessoas a quem eu protejo e protegeria também. Os "meus forcados"...

E, de facto, é um sinal de esperança, esperança nos outros, nos valores. Como já ouvi por várias vezes, de diferentes pessoas, e talvez já tenha escrito por aqui, a cidadania, a solidariedade, a amizade, a inter-ajuda, o respeito pelos outros e pelo nosso habitat, começa aqui mesmo. E se todos cumpríssemos com os nossos deveres de ser humano para com os mais próximos, o mundo não precisaria de tantas alavancas.


sábado, janeiro 10, 2009

pessoas...


Quando era adolescente ouvi uma frase que na altura me marcou e que escrevia em muitos bilhetinhos e mensagens de parabéns. Qualquer coisa deste género: "Há pessoas cometas e pessoas estrelas. As pessoas cometas passam pela nossa vida e vão-se embora sem deixar rasto, as pessoas estrelas aparecem para ficar. Tu és uma pessoa estrela."
Há uns dias disseram-me que
"vivemos rodeados de espíritos e deuses, mais reais de carne e osso do que somos levados a supor".

Há, de facto, pessoas que passam por nós sem deixar marcas. O mais comum.
Há pessoas que passam e deixam marcas pequenas, boas e más, e que são contributos ao nosso crescimento, à aprendizagem constante inerente à relação com o outro. Bastantes.

Há ainda pessoas que, sem nos relacionarmos com elas, nos deixam uma qualquer mensagem ou lição. Muito poucas.

Depois há as pessoas que passam e deixam marcar grandes, também boas e más e que "partem" por circunstâncias diferentes da vida, ou porque surge uma afastamento temporo-espacial e o contacto se perde progressivamente, ou as afinidades mudam com o crescimento de cada um e um caminho mais divergente, ou há uma rotura por um qualquer motivo feliz ou triste... diferentes causas, diferentes situações. Estas pessoas são sempre recordadas e vão aumentando em número com a idade, simplesmente porque nos vamos continuamente cruzando com pessoas diferentes e gerando laços diferentes. Elas têm sempre um impacto em nós, às vezes maior do que possamos perceber.

Finalmente há as pessoas que ficam. Poucas, muito, muito poucas. E mesmo as que ficam partem sempre um dia. Estas são as pessoas que em dado momento das nossas vidas fazem muito sentido, pessoas com quem a sintonia é quase imediata, a nível pessoal, profissional ou no campo do lazer. Dentro destas pessoas há umas mais próximas e/ou íntimas do que outras, há relações diferentes, de contextos diferentes com níveis de partilha e cumplicidade também diferentes. Estas são as pessoas que nos "sustêm" no dia-a-dia, a médio e longo prazo.

Tenho falado acerca do futuro, porque são tempos de pensar no futuro. Tenho falado acerca de pessoas e pensado em pessoas. E olho para as pessoas mais velhas, familiares directos de quem sou mais próxima, e percebo o quanto as relações mudam, o quanto "se afunilam". É assustador.
Já tinha percebido há muito tempo que a certa altura (que é agora) temos que "seleccionar" pessoas, "investir" numas mais do que noutras, friamente escolher com quem me relacionar e em quem apostar. E neste processo de selecção mais ou menos natural, de acordo com as tais circunstâncias da vida, proximidade física, afinidades, vamos deixando pessoas para trás, porque é impossível manter todas com o mesmo grau de proximidade afectiva. E não quer dizer que não recuperemos pessoas, que não nos afastemos e aproximemos depois ,e vice-versa, mas vivemos constantemente uma espécie de jogo inconsciente de "apostas".

Ainda assim, assusta-me imaginar-me daqui a uns anos com 1/3 ou menos das relações que mantenho agora, até porque me apercebo de uma tendência natural de quem se casa relacionar-se com quem é casado e de quem permanece solteiro relacionar-se maioritariamente com outros da sua condição. E sei que nem todos os meus amigos casam, nem todos ficam solteiros e a perspectiva de me afastar naturalmente de quem é mais próximo agora inquieta-me ligeiramente.


Mesmo assim é muito bonito e gratificante investir, mimar e tentar ir estando presente na vida de algumas pessoas. É difícil principalidade quando a distância física se impõe, mas é bem possível "roubar" tempo ao dia para os amigos. Às vezes desistimos porque é demasiadas vezes unilateral ou deixa de fazer sentido. Tem que sem uma aposta a dois, sentido a dois, e quando percebemos que parte já só de nós, ou tentamos uma outra abordagem ou aceitamos serenamente que a pessoa vai também "partir" (ainda que possa voltar).


sexta-feira, janeiro 09, 2009

em tons de roxo...

Muito obrigada ao

Jimmy, Jorge...
Porque finalmente os sonhos são em tons de roxo!



quinta-feira, janeiro 01, 2009

boas vindas a...



"2008


Até que enfim, vai terminar.
Que 2009 traga paz, ao coração de cada um, que a Paz do mundo inteiro tem de começar dentro de nós.
Que esteja à altura dos sonhos que sonhamos nos nossos dias bons.
Que as pessoas de quem gostamos não tenham razões para nos abandonarem nesse gostar, nem por um segundo. Que saibamos estar à altura.
Que sejamos surpreendidos pela descoberta de gente nova, que fique para sempre.
Que todos os amores mereçam cartas, sms, e-mails de inspiração superior.
Que possamos rir, gargalhadas daquelas imparáveis, que comovem e se alimentam a si próprias.
Oxalá 2009 seja um ano de que nos lembremos pelas melhores razões, assim de repente, daqui a muitos anos.
Que os filhos cresçam saudáveis, espertos e riam muito!
Que possamos celebrar, a cada dia, os amigos e a felicidade de exercer uma amizade verdadeira, que é um tesouro, para quem o sabe reconhecer.
(...)
Que haja Margueritas e Morangoskas à beira mar.
Que a água da praia seja morna e transparente.
Que o tinto seja sempre um espectáculo.
Que os olhares decidam, em bom.
Que se cante no carro, em viagens de alegria pura.
(...)

Saúde!"


mais uma vez, aqui.


sábado, dezembro 27, 2008

deliciante...


"A essência da vida são os outros. A nossa época é-lhe contrária por várias estupidezes. As pessoas vangloriam-se de ser independentes, individualistas, auto-suficientes, egocêntricas, únicas, solitárias, livres. Dizem: “Quero lá saber o que os outros pensam!" Sem perceber a terrível vaidade que isso implica. Para ter uma noção do pouco que valemos, basta subtrair ao que somos o que aprendemos, o que lemos, o que vivemos com os outros. É só ver o que fica. Coisa pouca. Sozinho quase ninguém é quase nada. É somente juntos que podemos ser alguma coisa. A verdade é que devemos tudo a quem já deu, já morreu, já disse, já escreveu. E a nossa felicidade devêmo-la, não a nós próprios, mas a quem vive ou viveu ao pé de nós. Será isso o que custa tanto a aceitar? Nascemos dentro de um mundo cheio de hábitos, de conhecimentos e de poesia. Com a papa feita. Tudo existe sem o nosso esforço. Tudo já lá está antes da ideia que temos, da iniciativa que tomamos. Temos literaturas, Histórias, línguas, regras sociais, tecnológicas. Uma bela herança, feita das coisas que os outros nos deixaram. Não foi por serem generosos – foi por viverem connosco. Os outros são a nossa vingança, a nossa moralidade, a nossa inibição. No pouco tempo em que vivemos e trabalhamos, limitamo-nos a acrescentar um ponto ou outro à soma que já existe. Um dia morremos. A morte é o preço que se paga pelo facto de vivermos tão facilmente. Pelo facto de não termos que inventar a língua que se fala, de não escrevermos os livros que se lêem, de não fazermos o pão que se come, de não sermos obrigados a estabelecer e a negociar as regras com que se vive. Os outros são a sorte que nos cabe, são o azar que nos calha. São o nosso último recurso e a nossa primeira obrigação. Esta é a essência da sociedade. Enriquecemos quando os outros são ricos, empobrecemos quando eles são pobres. Deixemo-nos de betices. O sentimento mais importante de todos é a solidariedade. (…) Posso dizer uma verdade? A minha maior qualidade é o meu Amor, é a minha família, são os meus amigos, é a minha pátria, são os meus colegas. São os meus antepassados, são os exemplos que me deram, são os meus livros. Eis a essência da minha vida, de qualquer vida: a minha maior qualidade são os outros. É esta a maior qualidade de qualquer outra pessoa. A minha maior qualidade é depender dos outros, é preocupar-me com o que pensam, é ser influenciado pelo que dizem. Eu não sou quase ninguém. Eu sou só um. Os outros são quase tudo. São quase todos. A minha maior qualidade é não querer, saber que não posso safar-me sozinho. É sentir-me sozinho quando estou sozinho, preso pelo amor que me prende. É sentir-me incompleto. Os outros dão-me vida. A minha maior preocupação é conhecê-los, servi-los, conservá-los, merecê-los. A essência da vida está fora de nós. Está nos outros todos juntos, sem lugar, sem tempo, sem saber como. A única coisa que temos é o Amor."


Miguel Esteves Cardoso. In “ O independente “, caderno 3, de 10/ 8/ 1990



para 2009...


terça-feira, dezembro 23, 2008

já não sei o que é ser velho...



Estive 2 meses num serviço de Cirurgia. Surpreendeu-me a cirurgia. Gostei. Um misto de enfermaria, consulta e bloco. A enfermaria. Internamentos curtos, na sua maioria. Mortes mais escassas. Os doentes. Pouco contacto, salvo raras excepções. Tudo mais fugaz. Não há grandes tempos de conversa. Passam os dias ali a olhar para outros doentes ou paredes. Alguns ainda passeiam pela enfermaria. Poucos. Médicos. Aparecem alguns. Muito poucos. Sempre os mesmos. Onde é que eles se metem?


Quase 2 meses de
Medicina Interna. Uma enfermaria quase que entregue a alunos. Aprendemos muito, não sentimos o peso da responsabilidade, mas do bom senso. Internamentos longos e longos. Mortes diárias. Negligência profissional, familiar, do sistema. Afeições a doentes. Doentes muitos velhinhos. Já não sei o que é ser velho! Doentes infectados com não infectados. Doentes que não reagem, não falam, não comunicam. Muitos. Autênticas unidades de cuidados continuados. As mesmas paredes para onde olham. Espaços para conversas, para ouvir. Alguns de nós, só. Médicos. Passam por lá. Só os internos ficam.

Há umas semanas atrás uma doente, religiosa, da Ilha das Flores, agradecia-me antes de se ir embora e perguntava se podia ligar à Dra. J. se fosse preciso algo. Na semana passada, uma outra doente, de trança cinzenta, pedia-me que fosse vê-la a casa, "a pagar", dizi
a ela. Respondi a ambas que não sou médica ainda, que não sei muito, que não posso assumir essas competências.

Há dias em que não apetece, mas são poucos. Depois do banho apetece quase sempre. Há dias em que mal se fala com os doentes, também são poucos.
Tenho falado, ainda que poucos minutos por dia, com cada doente minha (até agora só trabalhei em mulheres). Tenho ouvido também.

E elas já me chamam Senhora Doutora, porque para elas, a ponte da comunicação com o centro das decisões, é quem cu
ida delas, quem as "trata". Não sei se serei uma boa médica. Vou trabalhar muito para isso. Mas queria só, e pelo menos, manter a capacidade de ouvir, de estar, de falar, de ser atenta, de fazer sentir aos doentes que são importantes e de que alguém se preocupa com eles. Se mantiver esta capacidade não estará tudo perdido.

Estes mimos dão-nos vontade de trabalhar e aprender mais. Porque sinto sempre que nada sei. E que qu
ando digo às minhas doentes que não sou ainda médica elas ficam confusas. Como podem elas perceber?

E como podem os médicos ser médicos sem ver doentes? Sem falar com doentes?

Uma admiração sincera aos enfermeiros, ao seu trabalho.
Às vezes penso que da formação de médicos deveria constar uma semana de internamento e uma semana de trabalho de enfermagem.

É, também uma aprendizagem para a vida. Se não nos esquecermos. Vermos doentes pouco mais velhas que nós, mães de filhos pequenos, a serem "contaminada pela epidemia do século", o cancro. Dão-me vontade de viver. De ser mais quem sou, de perder a compostura (como tu, H., tão bem dizias), de largar o comando do controlo. Mas afinal de contas, adormeço e acordo, quase sempre como no dia anterior e a viver um dia de cada vez. Numa ou outra enfermaria.

Um dia, talvez tenha coragem para ser 'louca'!


terça-feira, dezembro 16, 2008

dicas...














Lokua Kanza

A T. mostrou-me.
Ainda bem que estava perdido no computador.
Quem quiser explorar...