sábado, dezembro 13, 2008

momento cultural III...

Deolinda










Simplesmente lindo!
Só reclamo ser no TAGV, as pessoas ficam sentadinhas, quietas e eu já tinha "bichos" pelo corpo todo! Fui das primeiras ter liberdade interior para me levantar :)

PS: O "Movimento perpértuo associativo" tem muito que se lhe diga...


momento cultural II...

"Em viagem com" Doutor Fernando Nobre.
















Ouvir pessoas como este senhor desinstala, desacomoda.

Não sendo possível transcrever tudo o que ouvi, fica a dica para que vão ouvi-lo quando tiverem oportunidade e que sigam o
blog.

Só dizer que viajar, conhecer, arriscar, tentar ser voluntária e solidária, faz de nós pessoas mais correctas, tolerantes, justas. Aprende-se a não julgar, a não "atirar primeiras pedras", tal qual parábola da mulher adúltera, a ouvir, a ser atenta, a respeitar, a dar valor, a compreender, a saber esperar. Cresce-se e é-se diferente, para melhor.
Quando se viaja com vontade de descobrir isso tudo, claro está. Porque há também quem viaje para dizer que viajou e pôr no currículo experiências bonitas. Mas isso vai de encontro às motivações de cada um.

E quando se aprende isso tudo e se esquece, é bom recordar :)

PS: Se "as duas doenças mais graves do mundo são a intolerância e a indiferença", tenho que me curar, pelo menos da intolerância!

momento cultural I...

Blindness
















Comecei a ler o "Ensaio sobre a cegueira", de José Saramago, há uns anos atrás, não sei precisar, mas ainda vivia em casa dos meus pais. Li até 1/3 do livro, talvez. Não fui capaz de continuar e agora percebo porquê. Como podia eu ter capacidade de entender possíveis metáforas, se ainda hoje tenho dificuldades.

I. Como me lembraram recentemente, quando alguém escreve pode simplesmente não querer dizer nada, ou querer dizer algo simples, o que está somente escrito, nas palavras exactas.
Não acho que seja o caso. Não conheço Saramago, mas parece-me que ele escreve especificamente algo, algo que quer transmitir. Aqui, precisamente, uma crítica à sociedade, à "cegueira humana". Ele próprio o afirmou em reportagens recentes.
Ainda assim, ele escreveu um livro que foi interpretado para filme por alguém e que é interpretado por quem lê e quem vê de mil maneiras diferentes.
E acho que o Saramago não se importa, desde que ponha as pessoas a pensar. E o filme consegue-o e bem. Transtorna, mexe, revolta, inquieta, incomoda. Bom!


II. Saí de lá também intrigada, a tentar perceber tudo. Duas coisas que não consegui descortinar: porquê ela, porquê uma só pessoa que nunca deixa de ver? Talvez seja o tal factor aleatório da escrita, talvez não. Ela representa, para mim, a lucidez, mas não consigo entender o objectivo, se é que há 'um' ou 'o' objectivo?!
E porquê os santos de olhos vendados? Para este detalhe não sou capaz, de todo, de arranjar uma interpretação plausível.
E o giro, é que, desde que vi o filme, já fiz várias interpretações de várias coisas, a título pessoal, a título colectivo, mais e menos abrangentes, à vida de cada um e à sociedade em geral.


III. Das coisas que mais penso em relação ao filme é que quando nos deixamos "cegar", lentamente, à nossa volta, tudo vai ficando sujo, podre, pobre. E quando voltamos a ver, é um caminho difícil voltar a "colocar tudo no lugar", limpar, arrumar, (re)arranjar. Mas é sempre uma boa sensação, essa de voltar a ver e ter nas mãos a capacidade de modificar o que está à nossa volta, em prol do nosso bem estar e dos outros. É um dom, que se torna um dever.

IV. Marcou-me também o peso que acarreta a única pessoa que vê e o quão seria mais fácil desistir, acomodar-se, "deixar de ver também". Mas ela luta até ao fim e tem uma capacidade de encaixe, de aceitação, lucidez para agir ou não agir, para reagir ou esperar. Quem vê também sofre. Ela vê, mais do que com os olhos, com o coração e a mente.

Hei-de rever o filme, talvez ler o livro, mas continuo a "meditar" sobre a tal cegueira...


quarta-feira, dezembro 10, 2008

momentos divertidos...



Estreei-me no Jorkyball. Uma hora saudável, para o corpo e para a mente!
E quem diria, há tempos atrás, que eu me iria divertir tanto, gostar da experiência e repetir?
O que me levou a pensar, durante o banho maravilhoso pós-jorky, que na vida negamos tantas vezes à partida o que desconhecemos. Desdenhamos sem experimentar, sem ver, sem falar, sem dar uma oportunidade. E a quantidade de oportunidades boas que deixamos escapar por entre dedos, simplesmente por sermos "limitados", "medrosos" e pouco arrojados. Somos demasiado acomodados à rotina (no sentido que compreende má conotação), aos nossos hábitos. E não arriscamos, não vamos mais longe, por vezes só para não dar o braço a torcer, para contrariar, por orgulho ou falta de companheirismo. E os desafios, os convites, de pessoas ora mais próximas ora distantes, vão surgindo e nem nos apercebemos, não lhes prestamos atenção. Somos nós quem fica a perder, pelo que deixamos de viver e pelas pessoas com quem "abdicamos" de estar.


terça-feira, dezembro 09, 2008

sensações...




















Durante 21 anos vivi sem saber o que era 'saudade'. Uma palavra unicamente portuguesa, e que não conseguia entender para além da explicação lógica.
Achei-me um "alien" durante algum tempo porque todos já tinham experimentado a sensação de 'saudade'. Eu não, por circunstâncias da vida e aliadas à minha pessoa.
Quando fiz Erasmus percebi então o que era 'sentir saudades'.
E senti. E desde aí, a sensação "perdura". Depois da descoberta sem procura, a 'saudade' "instalou-se". Não é bom nem mau. Ou melhor, é bom, é sinal que sinto, que me entrego, que recebo, que me relaciono, que vivo e que guardo na memória boas recordações e sentimentos. É bom sentir saudade sem querer voltar atrás, como algo que recordo com uma boa sensação, que é importante e se imortalizou em mim.
Não tenho saudades de lugares, mas de pessoas com quem estive nesses lugares. Não tenho saudades de épocas, mas do que vivi nelas.
Mas continuo a não perceber bem o significado da coisa, fico intrigada com a expressão "matar saudades". Deita por terra esta minha concepção. Como se matam saudades se nada se repete? Talvez o estar e voltar a estar exija sempre mais. Porque eu tenho saudades de pessoas com quem até vou estando.
Já não sei bem o que é ter saudades outra vez então...
mas deve ser isto que sinto...


domingo, dezembro 07, 2008

às compras...

Ando mesmo numa de:


Faltava "a cereja na ponta do bolo" :)
Lindo!!

curiosidades...

"La felicidad es contagiosa

  • Rodearse de amigos felices aumenta un 9% las probabilidades de sentirse satisfechos

MARÍA VALERIO

MADRID.- ¿Quién no se ha sentido alguna vez contagiado por la felicidad de un amigo, un padre, un hermano? ¿Quién no se alegra por el júbilo ajeno? ¿Y no parece acaso que las penas vienen todas juntas entre conocidos y allegados? Un estudio que combina la epidemiología y la sociología sugiere que la felicidad es contagiosa, y que las personas con amigos dichosos son más proclives a sentir la felicidad en sus propias carnes.

Para darle base científica a una idea que muchos ya mascaban, investigadores de las universidades de California y San Diego (ambas en EEUU), han utilizado los datos de una de las investigaciones más famosas de la historia de la medicina, el estudio Framingham. Desde 1948, 5.209 ciudadanos de la localidad estadounidense del mismo nombre (y ahora, además, sus hijos y nietos) se someten periódicamente a estudios y análisis para conocer su estado de salud.

Sus conclusiones se han publicado en la revista 'British Medical Journal' (BMJ) y pueden tener implicaciones sanitarias: "Lo más importante es el reconocimiento de que las personas son seres sociales y el bienestar y la salud de un individuo afecta a la de quienes le rodean".

Los autores seleccionaron a 5.124 individuos (a los que se denominó 'egos') y a varios de sus conocidos ('alter'): padres, hermanos, pareja, hijos, vecinos, compañeros de trabajo, amigos (y también amigos de amigos). En total, más de 12.000 individuos que estaban conectados entre sí de alguna manera en la localidad de Framingham entre los años 1971 y 2003, y que constituían entre ellos alrededor de 53.200 vínculos sociales.

Amistades positivas

Para definir la 'felicidad', James Fowler y Nicholas Christakis utilizaron una escala de valores, en la que los participantes tenían que responder a varias cuestiones sobre sus sentimientos en las últimas semanas: "Me siento esperanzado con el futuro", "me siento feliz", "disfruto de la vida", "siento que soy tan bueno como otras personas"... Como muchos de los 'alter' también estaban incluidos en el estudio Framingham no fue difícil obtener sus sensaciones y establecer cómo se distribuía este sentimiento a través de las redes sociales.

Sus análisis demostraron que las personas felices suelen estar vinculadas entre sí (lo mismo que las desdichadas). Una persona tiene un 15% más de probabilidades de sentirse ufana si está conectada con un 'alter' feliz; aunque a medida que la relación se va distanciando (amigos de amigos, vecinos, compañeros de trabajo...) estos porcentajes se van reduciendo al 9,8% o incluso al 5,6% en el caso de conocidos de 'tercera línea' (amigos de amigos de amigos, por ejemplo).

Además, se atreven a decir que hay individuos que viven en el centro mismo de la dicha, mientras que las personas que ocupan la periferia de las relaciones sociales se sienten menos satisfechas. Así, los individuos que son el centro de muchas relaciones tienen más probabilidades de seguir siendo felices en el futuro.

La investigación subraya que la felicidad de cada 'alter' influye directamente en las emociones del 'ego': tener amigos alegres incrementa un 9% las probabilidades de ser feliz en el futuro o convivir con una pareja dichosa equivale a un 8% de felicidad; y, al contrario, rodearse de pesimistas reduce un 7% las emociones positivas.

Los autores, además, sugieren que en el contagio de la felicidad las distancias cuentan. Por ejemplo, vivir a menos de 1,6 kilómetros de distancia de un hermano optimista aumenta un 14% la dosis de felicidad personal, mientras que si residen más alejados, los sentimientos fraternales no parecen tener efecto. Si quien vive a menos de 0,8 kilómetros es un amigo, su dicha incrementa un 42% las probabilidades de felicidad del 'ego'.

Este análisis de la transmisión de sentimientos señala también que las personas del mismo sexo se contagian la felicidad con más facilidad que los contrarios. Quizás por eso, sugieren, el bienestar de amigos o vecinos puede influir más que el de la pareja (en la muestra eran todas heterosexuales).

Influye en la salud

Como ellos mismos subrayan, la felicidad está relacionada con factores tan diversos como la calidad de vida, la satisfacción en el trabajo, las buenas relaciones sociales y familiares... "Y como tal, no es extraño que se vea mermada cuando alguien está enfermo o que la depresión y la ansiedad influyan negativamente en algunas patologías".

En un comentario que publica en la misma revista Andrew Steptoe, de la Fundación Británica del Corazón, reconoce que, a pesar de las pegas metodológicas que se le puedan poner, "el trabajo desata la intrigante hipótesis de que algunos condicionantes psicosociales se pueden transmitir a través de las conexiones sociales. Y esto tiene importantes implicaciones para el diseño de intervenciones eficaces".

Steptoe recuerda que hasta la fecha se ha demostrado que los individuos más felices tienen niveles más bajos de cortisol durante todo el día (relacionado con menos estrés o ansiedad), una respuesta inflamatoria atenuada y una mejor salud cardiovascular."






Encontrei aqui, onde soube também que o Markl vai ser pai, e isto já foi (estupidamente ?) motivo de conversa cá em casa com a minha irmã, atentas a essas maltas, que não conhecemos, mas por quem fiquei também muito feliz (estupidamente outra vez ?).



Entretanto, para os que conseguiram ler o texto: Sou mesmo feliz com e pelos amigos que tenho, não sei se 9% ou mais, mas que me fazem feliz, fazem! Espero fazê-los a eles também.
Talvez por isso queira cada vez mais seguir o surto migratório dos amigos para a "minha cidade paixão" (aguentem só mais um pouco!), não esquecendo, claro, os que por cá ficam. Os 200 km não hão-de diminuir o grau de felicidade entre nós!

quinta-feira, dezembro 04, 2008

dicas...

Before Sunrise - 1995.
Tinha no mínimo 11 anos quando vi este filme. Acho que 13/14, já não sei precisar porque são idades 'subjectivas'. Foi numa daquelas noites de férias ou fim-de-semana, não devo ter apanhado o filme no início, mas lembro-me perfeitamente que fiquei toda encantada e que foi nesse dia que decidi que teria que fazer interRail (que não cheguei a fazer), certa de que me apaixonaria perdidamente numa viagem ou numa qualquer "aventura de verão". (Também não - 'adolescentite'!) Acho que na altura era romântica (agora não sei!), depois cresci, e passados alguns anos vi Before Sunset - 2004.





Tinha 21 anos, já me tinha apaixonado, ainda que sem fazer interRail, e apanhei outra vez o filme a meio. Ainda demorou algum tempo até que me lembrasse do 1º filme e contextualizasse, mas, como não fui bem sucedida, aluguei os 2 e vi-os (devorei-os) do início ao fim.

Moral da história. Recomendo a quem ainda não viu, 'pequeno ou grande!' Gosto mesmo dos filmes, que não são grandes produções, que têm 2 actores e se centram em diálogos sobre a vida e o amor. Gosto dos cenários e de os ter visitado entretanto. Gosto agora de maneira diferente de como gostei há uns anos atrás, talvez por fazer uma leitura diferente do que é dito, das personagens, etc.
São talvez o meu lado romântico... E nem sei se são bons filmes, se os tais diálogos têm sentido, mas gosto de me perder nas cenas e acho que basta.
Tenho amigos que partilham desta opinião, outros que não me dizem, mas sei que acham os filmes uma perfeita estupidez, mas não faz mal.

Ainda hei-de fazer um inter-qualquer-coisa um dia... :)

Há também este ou este.


palavras difíceis...

idiossincrasia

do Gr. idiosygkrasía < ídios, próprio + sýkrasis, constituição, temperamento

s. f.,
disposição do temperamento de um indivíduo para sentir, de um modo especial e privativo dele, a influência de diversos agentes;
reacção individual própria a cada pessoa;

Med.,
reacção individual particular, perante um agente terapêutico.


(Já tinha ouvido a palavra muitas vezes.

Mas só hoje, graças à grande T., é que compreendi o seu verdadeiro significado.
E por acaso até me tinha dado jeito há uns dias atrás!)


tálamo

do Lat. thalamu <> thálamos

s. m.,
leito conjugal;
casamento;
bodas;

Bot.,
receptáculo das plantas.

Anat.,
região de substância cinzenta do encéfalo;
massas neuronais situadas na profundidade dos hemisférios cerebrais.

(Porque nas aulas de espanhol não se aprendem só "espanholadas"
eu cá só conhecia o significado anatómico!)



'vipes'...


Em conversa no fim-de-semana passado, lá no meio de 'mil coisas' ouvi: "Vocês já entram para medicina a ouvir falar no exame da especialidade".
Não é de todo errado, acredito que a maioria das pessoas que entram em medicina até já tenham ouvido falar muito nisso, principalmente os familiares ou amigos de médicos.
Mas eu sinto-me enganada!! Tenho a reclamar que nunca ouvi falar disso até uma prima minha (não de 1º grau!) ter que começar a estudar para o dito cujo... e na altura achava que era uma realidade longínqua... que não me ia bater à porta, porque quando fosse eu havia de ser diferente! LOOOL! (quem é que se lembra de uma destas?)

E agora.. sou eu a próxima!
O Sr. H. já faz parte de pequenas (bem pequenas!) partes de dias de pequenas partes de semanas... mas em breve (odeio esta palavra neste momento) será meu fiel companheiro... (que rica companhia!)

Tudo isto para dizer que hoje tive a percepção real de que vou sentir muitas vezes ao longo de um ano vontade de adormecer e acordar só lá para Dezembro de 2009 :) Ai era tão bom.. (E com exame feito e essas coisas todas!!) tentador e perfeitamente estúpido, já sei! Pura tentação manhosa... mas é melhor ir "gozando" com a situação assim de longe...

A propósito.. no 12º ano, quando se fala às "crianças" de futuros profissionais e testes psicotécnicos... ninguém acrescenta a alínea deste exame no final do curso! Tudo uma cambada de "chupistas", é o que é!

(Confesso que hoje antes de ir dormir - agora - me passou pela cabeça aquela cena do acordar daqui a uns tempos!!)

quarta-feira, dezembro 03, 2008

copy-past....



"Cinquenta e seis segundos com problemas de comunicação. Talvez estes segundos se multipliquem pelos nossos dias e pela nossa vida, com a dificuldade que sentimos para ler e interpretar os sinais. Um exercício difícil de sair dos sofás, para descer ao lugar do outro, do mais pequeno que se comunica com uma linguagem e com uma simplicidade que nos confunde."

Nuno Branco

quem arrisca?

"Arriscar

Rir é arriscar parecer louco;
Chorar é arriscar parecer sentimental;
Procurar os outros é expor-se às complicações
Revelar os seus sentimentos é arriscar mostrar a sua verdadeira natureza;
Mostrar as suas ideias, os seus desejos, à multidão é arriscar perdê-los;
Amar é arriscar o desespero;
Tentar é arriscar falhar.

Mas é preciso correr riscos pois não arriscar nada tem mais riscos.
Quem não arrisca nada, não faz nada, não vive nada.
Pode evitar o sofrimento e a tristeza mas não pode aprender o verdadeiro sentido dos sentimentos, da renovação do amor, da vida.
Preso pelas suas certezas é escravo.
Abandonou a liberdade.
Somente quem arrisca e se arrisca é livre..."

Albert Coccoz

segunda-feira, novembro 24, 2008

'bucket list'....




Já há muito tempo que não fazia uma lista, por tópicos.

As viagens longas e sem companhia (a não ser a da rádio ou de um qualquer cd) são 'prodigiosas' em pensamentos sobre o tudo e o nada, o pouco e o muito importante.


Inspirada, entre outras coisas, por
partilhas amigas, elaborei mentalmente uma lista de medos.
Medos do que não quero vir a ser, em que não me quero vir a tornar...
E, quando tentei pôr no papel, o que saiu foi uma grande lista de "desvirtudes", chamemos-lhes assim, de coisas que não gosto em mim, que calculo e sinto que os mais próximos também não gostem, e que fazem de mim uma pessoa pior, o que vai contra um dos meus propósitos de vida, de ser tentar ser sempre melhor. (Consigo só nos dias santos!)

E no fim da longa lista... senti-me livre e contente. Essas "desvirtudes", afinal, não eram mais do que os medos 'adaptados'... uma versão do mesmo!


Propósito: elaborar uma outra lista de "combate", do que, passo a passo, quero ir tentando transformar/mudar/crescer em mim!

sábado, novembro 22, 2008

mundo...



Um pequeno retrato da Guiné-Bissau.



ego para baixo...



Estou preocupada com a possibilidade de, em certas alturas, perder o sentido das coisas, me ter "demasiado em conta" e distorcer a realidade.

Não uma, nem duas, nem três... pessoas importantes e próximas me disseram coisas que senti como facadas. Em contextos bem diferentes, relativas a diferentes campos: relações pessoais, trabalho,
responsabilidades, futuro pessoal e profissional... não sei se têm toda a razão, mas custou ouvir e custou perceber que podem ser verdadeiras.

Sem pré-aviso, sem estar a contar, ouvi algumas coisas bem difíceis de se ouvirem, de se encaixarem e que abanaram os meus alicerces.


Em menos de 48horas senti a simulação do sismo na região de Lisboa em mim. Espero ter sido só simulação, para também eu preparar e activar os meios de protecção, não civil, mas de cidadania, de pessoa.


Preciso deitar abaixo algumas estruturas e reconstruir a minha casa.


Foi bom, apesar de tudo. É sempre bom tomar consciência de nós.
Tenho que redobrar a atenção. Parar e (re)pensar.

quarta-feira, novembro 19, 2008

ego para cima...















Ontem recebi as seguintes mensagens:

"Não podes ser só médica, que é desperdício"

"Gestora, organizadora, investidora, embaixadora, voluntária, cronista. Sei lá"


Faltou o cozinheira. Ou talvez não, porque acho que gosto da cozinha por não ser diário/obrigação.

Fiquei muito contente..Porque, de facto, podia ser muitas coisas e podia ser igualmente feliz.

Estou sempre a pensar que tenho jeito para muitas coisas e pouco para médica, mas há umas semanas atrás acordei com vontade! Vontade de ir para o hospital, de ver doentes, de trabalhar.

E por mais que me queixe, gosto também do que escolhi para mim ,e posso vir a desenvolver também o jeito, se trabalhar, se aprender, se não perder o rumo do certo, do justo, o sentido da igualdade e o humanismo.

Para além de querer gosto! É importante para mim.

E tenho que aproveitar esta maré, que é rara, e pode ir com a força com que veio...
Pretendo, assim, guardar para mim esta "luz", para quando me esquecer, alguém, ou eu mesma, me poder lembrar. De quem sou, o que quero e o que me move.

terça-feira, novembro 18, 2008

momentos culturais...



















Eu "not" Pessoa


É difícil escolher um poema de Pessoa.

Quando estudei O poeta, tinha para mim que Ricardo Reis era o meu predilecto. Pela racionalidade que transparecia. Nunca fui fã de Alberto Caeiro e Álvaro de Campos passou-me (na altura) um pouco ao lado. O ortónimo sempre me encantou, porque era ele... ainda que fingidor, era o mais próximo da pessoa, não Pessoa, mas o homem, não poeta.

De Alberto Caeiro: " A Arte de ver o real"
De Ricardo Reis: "A arte de saber viver"
De Álvaro de Campos: "Sentir tudo de todas as maneiras"

Agora que leio, atento, escuto... Álvaro de Campos cativa-me... não por sintonia, mas pela diferença... do que não vivo em mim, não sinto em mim... e saber viver e aprender com a diferença é também uma arte!

É um poço sem fundo o nosso FP. Daqueles em que mergulhamos quantas vezes quisermos. Há sempre um verso novo, um poema que atrai, uma associação à vida que corre..
Conseguiu ser louco e imortal. Deixou os versos...
A minha irmã disse que gostaria de o encontrar no céu. Eu acho que o Pessoa teria sempre que ser para mim uma figura do meu imaginário. Porque enquanto pessoa não o consigo sentir feliz, na sua desmedida ânsia do tudo e do nada.

Faltou lá o Caeiro, mas foi giro e recomendo. Principalmente se, desde início, tiverem em mente quem foi Pessoa e os seus heterónimos.


para quem tiver "coragem":

    TABACARIA

    Não sou nada.
    Nunca serei nada.
    Não posso querer ser nada.
    À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

    Janelas do meu quarto,
    Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
    (E se soubessem quem é, o que saberiam?),
    Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
    Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
    Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
    Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
    Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
    Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

    Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
    Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
    E não tivesse mais irmandade com as coisas
    Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
    A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
    De dentro da minha cabeça,
    E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

    Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
    Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
    À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
    E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

    Falhei em tudo.
    Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
    A aprendizagem que me deram,
    Desci dela pela janela das traseiras da casa.
    Fui até ao campo com grandes propósitos.
    Mas lá encontrei só ervas e árvores,
    E quando havia gente era igual à outra.
    Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

    Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
    Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
    E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
    Gênio? Neste momento
    Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
    E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
    Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
    Não, não creio em mim.
    Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
    Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
    Não, nem em mim...
    Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
    Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
    Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
    Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
    E quem sabe se realizáveis,
    Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
    O mundo é para quem nasce para o conquistar
    E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
    Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
    Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
    Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
    Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
    Ainda que não more nela;
    Serei sempre o que não nasceu para isso;
    Serei sempre só o que tinha qualidades;
    Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
    E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
    E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
    Crer em mim? Não, nem em nada.
    Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
    O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
    E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
    Escravos cardíacos das estrelas,
    Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
    Mas acordamos e ele é opaco,
    Levantamo-nos e ele é alheio,
    Saímos de casa e ele é a terra inteira,
    Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

    (Come chocolates, pequena;
    Come chocolates!
    Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
    Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
    Come, pequena suja, come!
    Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
    Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
    Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

    Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
    A caligrafia rápida destes versos,
    Pórtico partido para o Impossível.
    Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
    Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
    A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
    E fico em casa sem camisa.

    (Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
    Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
    Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
    Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
    Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
    Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
    Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
    Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
    Meu coração é um balde despejado.
    Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
    A mim mesmo e não encontro nada.
    Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
    Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
    Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
    Vejo os cães que também existem,
    E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
    E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

    Vivi, estudei, amei e até cri,
    E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
    Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
    E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
    (Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
    Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
    E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

    Fiz de mim o que não soube
    E o que podia fazer de mim não o fiz.
    O dominó que vesti era errado.
    Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
    Quando quis tirar a máscara,
    Estava pegada à cara.
    Quando a tirei e me vi ao espelho,
    Já tinha envelhecido.
    Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
    Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
    Como um cão tolerado pela gerência
    Por ser inofensivo
    E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

    Essência musical dos meus versos inúteis,
    Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
    E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
    Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
    Como um tapete em que um bêbado tropeça
    Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

    Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
    Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
    E com o desconforto da alma mal-entendendo.
    Ele morrerá e eu morrerei.
    Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
    A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
    Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
    E a língua em que foram escritos os versos.
    Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
    Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
    Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

    Sempre uma coisa defronte da outra,
    Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
    Sempre o impossível tão estúpido como o real,
    Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
    Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

    Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
    E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
    Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
    E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

    Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
    E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
    Sigo o fumo como uma rota própria,
    E gozo, num momento sensitivo e competente,
    A libertação de todas as especulações
    E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

    Depois deito-me para trás na cadeira
    E continuo fumando.
    Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

    (Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
    Talvez fosse feliz.)
    Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
    O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
    Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
    (O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
    Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
    Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
    Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

    Álvaro de Campos, 15-1-1928

sábado, novembro 15, 2008

mundo...




Amanhã é dia de eleições na Guiné-Bissau.
O que se ouve por cá é sempre tão diferente da realidade de lá ,que não sei em que é que posso acreditar... "Tentam atirar areia para os olhos", mas é o que temos...

RTP

LUSA

JORNAL DIGITAL


"Depois prometeu um governo a pensar nos principais problemas do país, na estabilidade, no saneamento das finanças públicas, na recuperação da energia eléctrica e da água no país, porque "sem água e sem luz não há desenvolvimento"
."


relativo ao discurso de Carlos Gomes Júnior (candidato a Primeiro-Ministro)


No dia em que a Guiné Bissau tiver energia eléctrica e água.... será um dia verdadeiramente feliz...
Mas, às vezes, tenho a sensação que não estive naquele país, mas noutro qualquer... porque é-me tão difícil acreditar e confiar que seja possível que ali algo funcione.


Para os interessados.

quinta-feira, novembro 13, 2008

mimos...



















Abraços.
Cumprimentar com um beijo ou um aperto de mão é frequente. Dar um abraço não.


Pondo de parte os abraços maldosos, e as pessoas que abraçam indiscriminadamente outras pessoas (abraços vãos), o abraço é normalmente um gesto comedido, selectivo.
Não damos abraços a todos os amigos, a todos os familiares. Não damos sequer abraços a todas as pessoas próximas. Às vezes até parece que há uma qualquer barreira físico-psicológica que impede o simples abraçar.


O abraço carrega carinho, atenção,
amor, compromisso, olhares, paixão, solidariedade, amizade... O abraço, por si só, às vezes diz tudo o que não pode ou não deve ser dito oralmente.
Um só abraço pode ser suficiente...


E nós temos medo, vergonha, timidez, relutância em abraçar, em sair do nosso espaço, saltar da frieza para o quente.


Gosto de abraços verdadeiros, sentidos, inesperados e esperados também.
Abraços de alegria, de cumplicidade, de felicitação, de saudade, de (re)encontro. Gosto que me abracem quando estou triste, quando não tenho coragem de pedir. Gosto de abraçar sorrateiramente... gosto de abraços com gargalhadas e sorrisos...

Sou da ala "abraços reservados para pessoas e dias especiais". E não sei, nem consigo explicar, porque é que, por vezes, o corpo não reage quando a mente ou o coração nos impelem a abraçar, e nós ficamos calados, impávidos, inertes...


quarta-feira, novembro 12, 2008

divagações...



Tenho vindo a pensar que o ser humano, minimamente inteligente e sabido, é dotado em "inventar desculpas" para se explicar, perdoar, justificar, valorizar e dar razão... tudo a si mesmo.


Aliado à capacidade extrema de nos ouvirmos a nós mesmo mais que aos outros, temos a capacidade de procurar exactamente as pessoas que sabemos que reforçarão tudo aquilo que nós mesmos "inventámos" e sobre o qual estamos (ou simplesmente nos afirmamos) convictos.


É de "louvar" a forma subtil e discreta com que nos convencemos de uma série de coisas, que consideramos (será?) melhores para nós, e sobre as quais já pensámos e reflectimos e, como tal, estamos cheios de razão... de nós próprios, lá está!


Apercebi-me que repetimos, calmamente, a uma série de pessoas, qualquer coisa de que queremos simplesmente convencermo-nos e acreditar.
Mas se pensarmos só um bocadinho... estamos a tentar enganar quem? A nós ?! A mim !?

Porque, na minha lucidez (e pondo-me do outro lado), se eu fosse um receptor meu, perceberia que, entre o que digo, faço, sinto e acredito, vai, por vezes, uma distância considerável.



NO ENTANTO... e no revés da medalha...


Se não nos educarmos e não nos confrontarmos, ainda que apenas com "convenções interiores", deixamos que algo que não queremos se apodere da nossa sanidade mental.


Pau de dois bicos.

Deve ser mesmo assim que se cresce e aprende.

(E que se cometem erros repetidos, ouvi alguém dizer... aliados às fraquezas e "fortalezas" de cada um.)