sábado, novembro 01, 2008

perspectivar...





















O dia 1 de Novembro. Dia de todos os Santos.

Ontem à noite estive a ver mãe e tia a prepararem 10 arranjos de flores para as campas dos familiares e amigos.

Desde pequena que assim é. Todos os anos, na véspera "de todos os santos" a avó limpa cuidadosamente a campa dos avós. Antigamente preparavam-se os arranjos no cemitério, com flores caseiras. Agora preparam-se na véspera com uma mistura de flores campestres com flores de estufa. No dia 1, logo pela manhã e antes da missa, vamos ao cemitério depositar as flores, as velas (que também sofreram fortes transformações ao longo do tempo) e rezar pelos familiares que ali se encontram.

Hoje, enquanto assistia a todo este ritual, perguntava-me (como me perguntei das últimas vezes) o sentido que tudo isto tem para mim. Não me faz confusão, mas não deixa de me inquietar. Tenho a sorte de ainda não ter perdido ninguém próximo. Não posso, nem tenho o direito, de tentar compreender o que se sente e o impacto que a morte de alguém pode ter em nós. Mas todas aquelas velas e flores... sim, dão um efeito de conjunto bonito, principalmente à noite, mas pergunto-me se não é exagero.. uma vela não chega? Um ramo simples, uma oração, a lembrança... a memória... ?

Pergunto-me se quando for muito crescida, se viver muito longe daqui, continuarei a vir e a dar uma certa continuidade a este dia e a tudo o que representa para a minha família. Se não por mim, pelo menos pelo que sei que significa aos meus...



sexta-feira, outubro 31, 2008

ando numa de...

Não sou muito vaidosa, nem sequer muito preocupada com a minha imagem... (a minha mãe diz que de menos!)

Mas há mudanças exteriores que nos fazem bem! São o primeiro passo para uma mudança interior...





E o espelho também gosta :)


quinta-feira, outubro 30, 2008

há coisas "curiosas"...

Ontem fui ver Rui Veloso. Bom concerto, boa acústica, boas músicas, bom ambiente.
Gostei, gostei mesmo. Uns quilinhos a mais não impediram o "rei do rock" de dar um espectáculo à altura.

Como seria de esperar a maioria das pessoas sabia a maioria das músicas.
Mas destaco as músicas que mais vibração causaram..






e, claramente...




E achei curioso que, quando cantou a "Paixão", os casais presentes agarram-se o mais que puderam, as meninas ligaram de imediato aos namorados e instalou-se subitamente um ambiente romântico característico... o que eu me perguntava era se as pessoas alguma vez tinham parado para pensar na letra da música. O título é 'paixão', pois claro, mas a música é um hino à rotura, à paixão não correspondida, ao fim, etc... então porquê celebrar e partilhar, com tal emoção e sentimento, com o 'mais-que-tudo' esta música? Só se for para: "... e que a nossa história não seja como esta canção, sim querido?"


(...)
"Ai o que eu passei, só por te amar
A saliva que eu gastei para te mudar
Mas esse teu mundo era mais forte do que eu
E nem com a força da música ele se moveu

(...)
Mas tu não ficaste nem meia-hora
Não fizeste um esforço p'ra gostar e foste embora
Contigo aprendi uma grande lição
Não se ama alguém que não ouve a mesma canção

(...)
Foi nesse dia que percebi
Nada mais por nós havia a fazer
A minha paixão por ti era um lume
Que não tinha mais lenha por onde arder


E então? "Não se ama alguém que não houve a mesma canção." Será por isso? Humm.. É muito verdade, mas a malta, definitivamente, não percebe o sentido da coisa...


segunda-feira, outubro 27, 2008

tenho andado a pensar...




Tenho conversado com muita gente sobre muitas coisas. Considero que conversas enriquecedoras, sinceras, "intelectuais" até.
Tenho pensado muito, também sobre muitas coisas. E tenho-me disposto a ouvir, embora sinta que tenho falado mais do que ouvido, no verdadeiro sentido de escutar. E, por fim, tenho estado atenta às pessoas, ao que dizem, ao que fazem, ao que pensam e à forma como se relacionam, ou não.

Posto isto, a consideração mais evidente a que chego é que as pessoas simplesmente não comunicam, falam apenas entre si.

E é incrível o que se perde por esta falta de comunicação. Perdem-se laços, relações, pessoas, oportunidades.


Os climas de suspeição, as suposições, o ficar a pensar e a remoer no que foi dito, no que alguém disse, muitas vezes no "disse que disse", no que se leu, no que se intuiu... deixa sempre uma vazio, um gap de informação. Este gap por sua vez leva a inibições, a interpretações erradas, as falsas impressões. E não acaba por aqui, porque depois disto vêm as omissões, as reacções impulsivas ou dissimuladas, e por aí fora, com efeito "bola de neve".

Percebo que, por vezes, falar custa, especialmente quando nos põe em cheque. É difícil encarar, enfrentar, confrontar. É uma espécie de exposição ao outro, é correr o risco de se tocar em pontos fracos, de se magoar, ou de sair magoado. Implica alguma liberdade interior.
E depois deixam-se arrastar situações, à espera que o outro dê o primeiro passo, que se aproxime, ou mesmo se aperceba, sem que ninguém lhe diga, daquilo que pensamos. É talvez o maior erro. Assumirmos que o outro tem obrigação de perceber exactamente aquilo que só a nossa cabeça é capaz de elaborar, aquilo que queremos que perceba, porque para nós é obvio.

E, às vezes, tudo depende de um pequeno gesto de coragem, de abordar o outro e comunicar, dizer o que me irrita, o que gosto, o que me surpreende, o que me desilude, o que me inquieta, de inquirir, de pôr em causa, de, simplesmente, esclarecer. Parece simples. Sei que não é. Mas pode ser, quando estamos dispostos a arriscar e sabemos que o outro também sabe e pode ouvir e que sabe e pode também ele comunicar. É que
quando deixamos passar muito tempo, pode ser tarde de mais..

Mas, quando finalmente conseguimos chegar à outra pessoa, sabe mesmo bem, porque tudo se torna claro, vão-se os mal-entendidos, sobressai o essencial, o que une, o que aproxima.

E vale mesmo a pena.



sábado, outubro 25, 2008

atitude...

descoberta...

desafio...



sexta-feira, outubro 24, 2008

partilhas...


Era só mais um comentário, na sequência de uma partilha, para quem escreve
aqui, mas talvez seja "de valor" partilhar...


Depois de ter passado algum tempo da minha vida a viver à espera do espontâneo, reafirmei a convicção de que gosto é de estabilidade com momentos de criatividade, mais do que espontaneidade. Porque ser espontâneo é fácil, é como tu dizes, é curto, tem raízes na incerteza. Mas a CRIATIVIDADE, o reinventar no dia-a-dia, isso sim leva ao "prazer de uma originalidade inesgotável"! Mas requer ter vontade de educar em nós os sentidos, a imaginação, a motivação, o sacrifício... é preciso estar disposto a uma espécie de mudança de atitude, à ablação do comodismo.
E afinal de contas, se o prazer da espontaneidade dura só uns instantes, o da criatividade perdura no tempo, como coisa que vem de dentro, do sentido, do querer.
Deixemos a espontaneidade para quem a ela tem direito, as crianças muito pequenas...

quinta-feira, outubro 23, 2008

saborear...

«Manhãs. O cheiro a terra molhada. Cantar no carro. O Outono. Praia, sempre. Ligar o microfone. O gozo de ir. O prazer de estar. Ler e pensar: é isto mesmo. O que não se diz e o que tem de ser dito. O Amor. Verão. Lugares. Amigos, todos. Tinto. A bola. À mesa com quem se gosta. O mar. Chuva na janela. Chocolate. Sexo. Água fresca. Dever cumprido. Olhares que decidem. Todos os dias trazem qualquer coisa…»

Em Dias Úteis




(...) viajar, as loucuras que se cometem, a neve, abraços com sentido, rir com vontade (...)


domingo, outubro 19, 2008

amnésias...


Era uma vez o Cocó, Ranheta e Facada, os três da vigairada.

Uma bela noite foram os três à rua...


















Foram e voltaram, mas por magia!

Tentaram e tentaram mas não conseguiram...






Já ninguém os podia ouvir, a não ser eles mesmos!

Mas o apogeu aconteceu quando...




























Combinaram novo reencontro na Rua Augusta.

Só não sabem ainda quando será...




To be continued...

Ps: Esta história é dedicada ao fiel companheiro...

quinta-feira, outubro 16, 2008

emoções em alta...

Hoje fui instrumentista!!

:) Weee!

quarta-feira, outubro 15, 2008

leituras...




Aqui li: "(...) para quem andar desacreditado de que as pessoas são essencialmente feitas de boa matéria"

Eu ando desacreditada. Tenho-me desiludido com as pessoas, com o que vejo, o que me apercebo.
Entristece-me a instalação, a falta de coragem das pessoas, para arriscar, ir mais longe, enfrentar os outros e a si mesmos, para lutarem pelo que querem.
A falta de abertura, de honestidade, o optar pelo mais fácil e mais cómodo. A carência, aliada à covardia, perante os mais próximos, que fere mais do que a sinceridade, e destrói, em vez de fazer bem.
Impressiona-me o egoísmo e/ou egocentrismo, a incapacidade de não pensar nas consequências dos actos em terceiros; a arrogância e prepotência, a falta de humildade e compreensão.
Incomodam-me os abusos de poder, a necessidade de auto-promoção, a sede de protagonismo, de reconhecimento constante.

Acredito que somos maioritariamente seres equilibrados, com tendência a ter lados que compensam outros e que parte também de mim chegar perto, tentar compreender, ver "o outro lado", e perceber que também eu sou assim... Lembrei-me dos meus tempos de Erasmus, ter ter aprendido a ver esse lado, ter ter percebido que estamos todos sujeitos a errar e mais sujeitos ainda a atirar pedras sem razão.




sexta-feira, outubro 10, 2008

achados...




Recortei a luz da lua
e colei num papelão
escrevi teu nome na rua
e fiz-te um coração

encontrei-te na rua
nem me deste atenção
eu não sei qual é a tua
coração de papelão

então chorei, chorei
e até pensei, pensei
amor assim para querer
meu bem não sei, não sei
fingir que nem chorei

sempre quis, sempre quis
namorar, namorar
com você, meu amor sempre quis namorar com você

se essa rua fosse minha
eu mandava-a ladrilhar
com o brilho dos teus olhos
só p'ra o meu amor passar...



Lembram-se de não sabermos o resto da música ?
Aqui têm :)


terça-feira, outubro 07, 2008

encantada...






segunda-feira, outubro 06, 2008

be continuing...


E por falar em coisas que acontecem...














Hoje levantei-me já com 10 minutos de atraso porque adormeci. O dia corria bem porque rapidamente recuperei o tempo perdido. Cereais e café antecedem a saída de casa.... mas... falta a chave, a minha 'rena'!! E onde estás tu? Em cima e baixo, nada de nada... maluqueira a minha, do lado de fora da porta... toda a noite as donzelas sujeitas a um ataque... (Nada de tentar a sorte, que agora estarei atenta).

Mas o sono não era tudo, a manhã mal começava... Arranco em primeira, meto a segunda, terceira, mas não há espaço para a quarta! E o porquê? Prioridade dos carros que vêm da rua que intercepta a minha, claro está. Olho para a minha esquerda, qual olho preguiçoso, e vejo um carro de tonalidade cinzenta, com algum peso dos anos em cima, a descer, muuuuito lentamente rua abaixo. Tudo seria normal, um dia como outro qualquer, se o carro... ... ... não estivesse vazio! Pois é... alguém teve um dia infeliz hoje e eu ri-me perdidamente logo pela manhã!


São coisas que acontecem, oh Markl!


dicas...




São coisas que acontecem...




Os 'Deolinda' aconteceram e ainda bem!

sábado, outubro 04, 2008

simplicidades...




Desde pequena que me lembro de ir à feira de S.Francisco.
Quando era pequena, "era uma seca" a noite de de 3 para 4 de Outubro, véspera de S. Francisco. Só havia tractores e burros para troca. Muitas pessoas e copos de vinho nas mãos de muitos homens, que vinham de um dia de trabalho nas vindimas ou na apanha da maçã.
Já há alguns anos que lá não ia. Cresci. Ontem, mal cheguei, fui com a família ao São Francisco. Já está frio por estas bandas. Tivemos que esperar um pouco, até que algumas pessoas libertassem uma mesa, mas como sempre em meios pequenos, havia vários amigos dos pais com mesa para partilhar.
Carne à venda em talhos ambulantes. Tendas cheias de fumo, dos grelhadores a carvão, onde, à vez, cada conjunto de pessoas põe as suas febras, tiras, entrecosto e costoletas... A senhora que traz o trigo. O jarro de vinho cheio. O caldo verde para terminar. Conversa entre os dentes a tilintar.


Sábado cedo. Visto mais uma camisola, porque continua fresco. O sol bate na vinha, aquela onde vou desde que nasci. Da avó ao neto mais novo, valada a valada, a pares, cortamos só o branco, deixamos o podre, a ramada, as folhas. Primeiro 19 baldes (dos grandes), depois, já na outra vinha, mais uns quantos.
Da vinha para o tractor, e daí para o lagar. Agora já não são 15 homens que durante a noite pisam as uvas; há uma máquina que em pouco tempo as tritura. Depois há que prensá-las, com a força de 4 braços, e recolher o futuro "vinho de bica aberta", com bombas modernas, para ser transfrido para as cubas, que substituiram as velhas pipas de madeira...


E tudo o tempo ainda não levou...




domingo, setembro 28, 2008

artigos...


“Há uns tempos a Joana
- Pai, acabei um namoro à homem

Perguntei como era acabar um namoro à homem e vai a miúda
- Disse-lhe o problema não está em ti, está em mim
o que me fez pensar como as mulheres são corajosas e os homens cobardes. Em primeiro lugar só terminam uma relação quando têm outra. Em segundo lugar são incapazes de
- Já não gosto de ti
- Não quero mais
chegam com os discursos vagos, circulares
- Preciso de tempo para pensar
- Não é que não te amo, amo-te, mas tenho de ficar sozinho umas semanas
ou declarações do género de
- Tu mereces melhor do que eu
- Estive a reflectir e acho que não te faço feliz
- Necessito de um mês de solidão para sentir a tua falta
e aos amigos
- Dá-me os parabéns que lá me consegui separar da chata
- Custou mas foi
- Amandei-lhe aquelas lérias do costume e a gaja engoliu
- Chora um dia ou dois e depois passa-lhe
e pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres. Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarreias, nos colarinhos das camisas, nas gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça. Não se apaixonam: entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com quem estão. Ignoram o que ela sonha, instalam-se no sofá do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar (chichi, sede, fome, a janela de que se esqueceram de baixar o estore)
ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas, pá, e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarrados à gente, no rónhónhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo? Lembro-me de um sujeito que explicava
- O maior prazer que me dá ter relações com a minha mulher é pensar que durante uma semana estou safo
e depois pegam-nos na mão no cinema, encostam-se, colam-se, contam histórias sem interesse nenhum que nunca mais terminam, querem variar de restaurante, querem namoro, diminutivos, palermices e nós ali a aturá-las. O Dinis Machado contava-me de um conhecedor que lhe aclarava as ideias
- As mulheres têm fios desligados
e um outro elucidou-me que eram como os telefones: avariam-se sem que se entenda a razão, emudecem, não funcionam e o remédio é bater com o aparelho na mesa para que comecem a trabalhar outra vez. Meu Deus, que pena me dão as mulheres. Se informam
- Já não gosto de ti
se informam
- Não quero mais
aí estão eles a alterarem a agressividade com a súplica, ora violentos ora infantis, a fazerem esperas, a chorarem nos SMS a levantarem a mãozinha e, no instante seguinte, a ameaçarem matar-se, a perseguirem, a insistirem, a fazerem figuras tristes, a escreverem cartas lamentosas e ameaçadoras, a entrarem pelo emprego dentro, a pegarem no braço, a sacudirem, a mandarem flores eles que nunca mandavam flores, a colocarem-se de plantão à porta dado que aquela puta há-de ter outro e vai pagá-las, dispostos a partes-gagas, cenas ridículas, gritos. A miséria da maior parte dos casais, elas a sonharem com o Zorro, Che Guevara ou eu, e eles a sonharem com o decote da vizinha de baixo, de maneira que ao irem para a cama são quatro: os dois que lá se deitam e os outros dois com quem sonham. Sinceramente as minhas filhas preocupam-me: receio que lhes caia na sorte um caramelo que passe à frente delas nas portas, nãos lhes abra o carro, desapareça logo a seguir por chichi-sede-fome-persiana-mal-descida-e-os-ladrões-percebes, não se levante quando entram, comece a comer primeiro e um belo dia
(para citar noventa por cento dos escritores portugueses)
- O problema não está em ti, está em mim
a mexerem na faca à mesa ou a atormentarem a argola do guardanapo, cobardes como sempre. Não tenho nada contra os homens: até gosto de alguns. Dos meus amigos. De Schubert. De Ovídio. De Horácio, de Virgílio. De Velásquez. De Rui Costa. De Einzenberger. Razoável a minha colecção. Não tenho nada contra os homens a não ser no que se refere às mulheres. E não me excluo: fui cobarde, idiota, desonesto.
Fui
(espero que não muitas vezes)
rasca. Volta e meia surge-me na cabeça uma frase de Conrad em que ele comenta que tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que chega tarde demais. Resta-me esperar que não seja tarde para mim. A partir de certa altura deixa de se jogar às cartas connosco mesmos e de fazer batota com os outros. O problema não está em ti, está em mim, que extraordinária treta. Como os elogios que vêm logo depois: és inteligente, és sensível, és boa, és generosa, oxalá encontres etc., que mulher não ouviu bugigangas destas?
Uma amiga contou-me que o marido iniciou o discurso habitual
- Mereces melhor do que eu
levou como resposta
- Pois mereço. Rua.
Enfim, mais ou menos isto, e estou a ver a cara dele à banda. Nem uma lágrima para amostra. Rua. A mesma lágrima para amostra. Rua. A mesma amiga para uma amiga sua.
- O que faço às cartas de amor que me escreveu?
e a amiga sua
- Manda-lhas. Pode ser que lhe façam falta.
Fazem de certeza: é só copiar mudando o nome. Perguntei à minha amiga
- E depois de ele se ir embora?
- Depois chorei um bocado e passou-me.
Ontem jantámos juntos. Fumámos um cigarro no automóvel dela, fui para casa e comecei a escrever isto. Palavra de honra que na janela uma árvore a sorrir-me. Podem não acreditar mas uma árvore a sorrir-me.”

António Lobo Antunes In Visão


sábado, setembro 27, 2008

(re)ânimo...



















O telefonema. Não me aliviou a alma, não descobri nada de novo, mas partilhei e ouvi. Tem sempre palavras sábias, sinceras. Sabe bem o que diz porque já pensou muito (e bem)... Cautelosa, atenta, amiga. Tem noção do que é a vida e de como as pessoas comuns a vivem. Não tenho medo de falar o que sinto, o que penso, ou até o que não penso, mas sinto só no imediato. Deixou-me inquieta. O telefonema. Porque o futuro não passou, mas vai acontecer. E não é o fim, é o princípio. E ela sabe. E eu percebi. Faz crescer por dentro.

E não sei ao certo nada dela. Nem sei como posso fazê-la mais feliz, mimá-la também. Queria poder ser também mais próxima, dar mais e receber menos. Recebo sempre. Construo pouco.

Fim do telefonema. O bloco. "Vem aí um senhor para suturar. Bora?" Sim. Houve uma altura em que
ela também não sabia. Sabia pouco. Sei pouco. Mas ela agora sabe bem aquilo que faz. Faz com cuidado. Profissionalismo. Bom senso. Respeito. Boa! Agora já sabes. E sei mais um pouco. E sou capaz de aprender também.


Fim de bloco. A sala. "Vocês têm aqui uma mulher do norte? No interior do país, a norte, não há consciência moral!" Ela não sabe que eu sou do interior do país, a norte. Não sabe que é na cidade que não há consciência moral. Silêncio. Escuto. Ela não sabe porque ela nunca viveu o outro lado do país. Passou que nem viajante. Não censuro.


Ela, ela e ela...

quinta-feira, setembro 25, 2008

desenraizar...


Afinal até gosto...


Vou aprendendo comigo, com os outros e com o tempo. Há coisas a manter! Quero poder lutar sempre por aquilo em que acredito, até ao dia em que não tiver mais forças ou perceber que a luta já não depende de mim. Quero ser crescida, não me importo de já não ser pequena. Posso folgar às vezes, parar para respirar e ganhar energias, mas sou rápida, gosto de ser rápida, de reagir e de me superar. Há dias em que é difícil acreditar, mas a mente continua a ser pilar das acções e do coração.
Acima de tudo gosto de lutar por pessoas, quer no trabalho quer no dia-a-dia. Gosto de gostar das pessoas também pelo que diferem de mim. Custa. Nem sempre consigo. Perco a paciência e a atenção, desligo. Mas também gosto de conquistar, de ser reconhecida, de saber chegar. Tem sido cada vez mais difícil surpreender!
O entusiasmo é ocasional. A emoção esporádica. E talvez por isso tenham tanto valor. As certezas e convicções, essas sim, alegram, por caminhos tortos, às vezes.

E afinal engano-me tantas vezes, assumo noções distorcidas, dou como certo o errado, e como errado o talvez... sem antes viver, experimentar, não me deve ser permitido afirmar convictamente o que gosto e é melhor para mim.

Porque afinal têm sido uma surpresa, estes dias a observar, a aprender, a entusiasmar-me. Não sei até quando, mas mais uma lição já não deixo fugir.

E, na fidelidade que procuro para mim, há lugar para o incerto...