quinta-feira, outubro 16, 2008

emoções em alta...

Hoje fui instrumentista!!

:) Weee!

quarta-feira, outubro 15, 2008

leituras...




Aqui li: "(...) para quem andar desacreditado de que as pessoas são essencialmente feitas de boa matéria"

Eu ando desacreditada. Tenho-me desiludido com as pessoas, com o que vejo, o que me apercebo.
Entristece-me a instalação, a falta de coragem das pessoas, para arriscar, ir mais longe, enfrentar os outros e a si mesmos, para lutarem pelo que querem.
A falta de abertura, de honestidade, o optar pelo mais fácil e mais cómodo. A carência, aliada à covardia, perante os mais próximos, que fere mais do que a sinceridade, e destrói, em vez de fazer bem.
Impressiona-me o egoísmo e/ou egocentrismo, a incapacidade de não pensar nas consequências dos actos em terceiros; a arrogância e prepotência, a falta de humildade e compreensão.
Incomodam-me os abusos de poder, a necessidade de auto-promoção, a sede de protagonismo, de reconhecimento constante.

Acredito que somos maioritariamente seres equilibrados, com tendência a ter lados que compensam outros e que parte também de mim chegar perto, tentar compreender, ver "o outro lado", e perceber que também eu sou assim... Lembrei-me dos meus tempos de Erasmus, ter ter aprendido a ver esse lado, ter ter percebido que estamos todos sujeitos a errar e mais sujeitos ainda a atirar pedras sem razão.




sexta-feira, outubro 10, 2008

achados...




Recortei a luz da lua
e colei num papelão
escrevi teu nome na rua
e fiz-te um coração

encontrei-te na rua
nem me deste atenção
eu não sei qual é a tua
coração de papelão

então chorei, chorei
e até pensei, pensei
amor assim para querer
meu bem não sei, não sei
fingir que nem chorei

sempre quis, sempre quis
namorar, namorar
com você, meu amor sempre quis namorar com você

se essa rua fosse minha
eu mandava-a ladrilhar
com o brilho dos teus olhos
só p'ra o meu amor passar...



Lembram-se de não sabermos o resto da música ?
Aqui têm :)


terça-feira, outubro 07, 2008

encantada...






segunda-feira, outubro 06, 2008

be continuing...


E por falar em coisas que acontecem...














Hoje levantei-me já com 10 minutos de atraso porque adormeci. O dia corria bem porque rapidamente recuperei o tempo perdido. Cereais e café antecedem a saída de casa.... mas... falta a chave, a minha 'rena'!! E onde estás tu? Em cima e baixo, nada de nada... maluqueira a minha, do lado de fora da porta... toda a noite as donzelas sujeitas a um ataque... (Nada de tentar a sorte, que agora estarei atenta).

Mas o sono não era tudo, a manhã mal começava... Arranco em primeira, meto a segunda, terceira, mas não há espaço para a quarta! E o porquê? Prioridade dos carros que vêm da rua que intercepta a minha, claro está. Olho para a minha esquerda, qual olho preguiçoso, e vejo um carro de tonalidade cinzenta, com algum peso dos anos em cima, a descer, muuuuito lentamente rua abaixo. Tudo seria normal, um dia como outro qualquer, se o carro... ... ... não estivesse vazio! Pois é... alguém teve um dia infeliz hoje e eu ri-me perdidamente logo pela manhã!


São coisas que acontecem, oh Markl!


dicas...




São coisas que acontecem...




Os 'Deolinda' aconteceram e ainda bem!

sábado, outubro 04, 2008

simplicidades...




Desde pequena que me lembro de ir à feira de S.Francisco.
Quando era pequena, "era uma seca" a noite de de 3 para 4 de Outubro, véspera de S. Francisco. Só havia tractores e burros para troca. Muitas pessoas e copos de vinho nas mãos de muitos homens, que vinham de um dia de trabalho nas vindimas ou na apanha da maçã.
Já há alguns anos que lá não ia. Cresci. Ontem, mal cheguei, fui com a família ao São Francisco. Já está frio por estas bandas. Tivemos que esperar um pouco, até que algumas pessoas libertassem uma mesa, mas como sempre em meios pequenos, havia vários amigos dos pais com mesa para partilhar.
Carne à venda em talhos ambulantes. Tendas cheias de fumo, dos grelhadores a carvão, onde, à vez, cada conjunto de pessoas põe as suas febras, tiras, entrecosto e costoletas... A senhora que traz o trigo. O jarro de vinho cheio. O caldo verde para terminar. Conversa entre os dentes a tilintar.


Sábado cedo. Visto mais uma camisola, porque continua fresco. O sol bate na vinha, aquela onde vou desde que nasci. Da avó ao neto mais novo, valada a valada, a pares, cortamos só o branco, deixamos o podre, a ramada, as folhas. Primeiro 19 baldes (dos grandes), depois, já na outra vinha, mais uns quantos.
Da vinha para o tractor, e daí para o lagar. Agora já não são 15 homens que durante a noite pisam as uvas; há uma máquina que em pouco tempo as tritura. Depois há que prensá-las, com a força de 4 braços, e recolher o futuro "vinho de bica aberta", com bombas modernas, para ser transfrido para as cubas, que substituiram as velhas pipas de madeira...


E tudo o tempo ainda não levou...




domingo, setembro 28, 2008

artigos...


“Há uns tempos a Joana
- Pai, acabei um namoro à homem

Perguntei como era acabar um namoro à homem e vai a miúda
- Disse-lhe o problema não está em ti, está em mim
o que me fez pensar como as mulheres são corajosas e os homens cobardes. Em primeiro lugar só terminam uma relação quando têm outra. Em segundo lugar são incapazes de
- Já não gosto de ti
- Não quero mais
chegam com os discursos vagos, circulares
- Preciso de tempo para pensar
- Não é que não te amo, amo-te, mas tenho de ficar sozinho umas semanas
ou declarações do género de
- Tu mereces melhor do que eu
- Estive a reflectir e acho que não te faço feliz
- Necessito de um mês de solidão para sentir a tua falta
e aos amigos
- Dá-me os parabéns que lá me consegui separar da chata
- Custou mas foi
- Amandei-lhe aquelas lérias do costume e a gaja engoliu
- Chora um dia ou dois e depois passa-lhe
e pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres. Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarreias, nos colarinhos das camisas, nas gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça. Não se apaixonam: entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com quem estão. Ignoram o que ela sonha, instalam-se no sofá do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar (chichi, sede, fome, a janela de que se esqueceram de baixar o estore)
ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas, pá, e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarrados à gente, no rónhónhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo? Lembro-me de um sujeito que explicava
- O maior prazer que me dá ter relações com a minha mulher é pensar que durante uma semana estou safo
e depois pegam-nos na mão no cinema, encostam-se, colam-se, contam histórias sem interesse nenhum que nunca mais terminam, querem variar de restaurante, querem namoro, diminutivos, palermices e nós ali a aturá-las. O Dinis Machado contava-me de um conhecedor que lhe aclarava as ideias
- As mulheres têm fios desligados
e um outro elucidou-me que eram como os telefones: avariam-se sem que se entenda a razão, emudecem, não funcionam e o remédio é bater com o aparelho na mesa para que comecem a trabalhar outra vez. Meu Deus, que pena me dão as mulheres. Se informam
- Já não gosto de ti
se informam
- Não quero mais
aí estão eles a alterarem a agressividade com a súplica, ora violentos ora infantis, a fazerem esperas, a chorarem nos SMS a levantarem a mãozinha e, no instante seguinte, a ameaçarem matar-se, a perseguirem, a insistirem, a fazerem figuras tristes, a escreverem cartas lamentosas e ameaçadoras, a entrarem pelo emprego dentro, a pegarem no braço, a sacudirem, a mandarem flores eles que nunca mandavam flores, a colocarem-se de plantão à porta dado que aquela puta há-de ter outro e vai pagá-las, dispostos a partes-gagas, cenas ridículas, gritos. A miséria da maior parte dos casais, elas a sonharem com o Zorro, Che Guevara ou eu, e eles a sonharem com o decote da vizinha de baixo, de maneira que ao irem para a cama são quatro: os dois que lá se deitam e os outros dois com quem sonham. Sinceramente as minhas filhas preocupam-me: receio que lhes caia na sorte um caramelo que passe à frente delas nas portas, nãos lhes abra o carro, desapareça logo a seguir por chichi-sede-fome-persiana-mal-descida-e-os-ladrões-percebes, não se levante quando entram, comece a comer primeiro e um belo dia
(para citar noventa por cento dos escritores portugueses)
- O problema não está em ti, está em mim
a mexerem na faca à mesa ou a atormentarem a argola do guardanapo, cobardes como sempre. Não tenho nada contra os homens: até gosto de alguns. Dos meus amigos. De Schubert. De Ovídio. De Horácio, de Virgílio. De Velásquez. De Rui Costa. De Einzenberger. Razoável a minha colecção. Não tenho nada contra os homens a não ser no que se refere às mulheres. E não me excluo: fui cobarde, idiota, desonesto.
Fui
(espero que não muitas vezes)
rasca. Volta e meia surge-me na cabeça uma frase de Conrad em que ele comenta que tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que chega tarde demais. Resta-me esperar que não seja tarde para mim. A partir de certa altura deixa de se jogar às cartas connosco mesmos e de fazer batota com os outros. O problema não está em ti, está em mim, que extraordinária treta. Como os elogios que vêm logo depois: és inteligente, és sensível, és boa, és generosa, oxalá encontres etc., que mulher não ouviu bugigangas destas?
Uma amiga contou-me que o marido iniciou o discurso habitual
- Mereces melhor do que eu
levou como resposta
- Pois mereço. Rua.
Enfim, mais ou menos isto, e estou a ver a cara dele à banda. Nem uma lágrima para amostra. Rua. A mesma lágrima para amostra. Rua. A mesma amiga para uma amiga sua.
- O que faço às cartas de amor que me escreveu?
e a amiga sua
- Manda-lhas. Pode ser que lhe façam falta.
Fazem de certeza: é só copiar mudando o nome. Perguntei à minha amiga
- E depois de ele se ir embora?
- Depois chorei um bocado e passou-me.
Ontem jantámos juntos. Fumámos um cigarro no automóvel dela, fui para casa e comecei a escrever isto. Palavra de honra que na janela uma árvore a sorrir-me. Podem não acreditar mas uma árvore a sorrir-me.”

António Lobo Antunes In Visão


sábado, setembro 27, 2008

(re)ânimo...



















O telefonema. Não me aliviou a alma, não descobri nada de novo, mas partilhei e ouvi. Tem sempre palavras sábias, sinceras. Sabe bem o que diz porque já pensou muito (e bem)... Cautelosa, atenta, amiga. Tem noção do que é a vida e de como as pessoas comuns a vivem. Não tenho medo de falar o que sinto, o que penso, ou até o que não penso, mas sinto só no imediato. Deixou-me inquieta. O telefonema. Porque o futuro não passou, mas vai acontecer. E não é o fim, é o princípio. E ela sabe. E eu percebi. Faz crescer por dentro.

E não sei ao certo nada dela. Nem sei como posso fazê-la mais feliz, mimá-la também. Queria poder ser também mais próxima, dar mais e receber menos. Recebo sempre. Construo pouco.

Fim do telefonema. O bloco. "Vem aí um senhor para suturar. Bora?" Sim. Houve uma altura em que
ela também não sabia. Sabia pouco. Sei pouco. Mas ela agora sabe bem aquilo que faz. Faz com cuidado. Profissionalismo. Bom senso. Respeito. Boa! Agora já sabes. E sei mais um pouco. E sou capaz de aprender também.


Fim de bloco. A sala. "Vocês têm aqui uma mulher do norte? No interior do país, a norte, não há consciência moral!" Ela não sabe que eu sou do interior do país, a norte. Não sabe que é na cidade que não há consciência moral. Silêncio. Escuto. Ela não sabe porque ela nunca viveu o outro lado do país. Passou que nem viajante. Não censuro.


Ela, ela e ela...

quinta-feira, setembro 25, 2008

desenraizar...


Afinal até gosto...


Vou aprendendo comigo, com os outros e com o tempo. Há coisas a manter! Quero poder lutar sempre por aquilo em que acredito, até ao dia em que não tiver mais forças ou perceber que a luta já não depende de mim. Quero ser crescida, não me importo de já não ser pequena. Posso folgar às vezes, parar para respirar e ganhar energias, mas sou rápida, gosto de ser rápida, de reagir e de me superar. Há dias em que é difícil acreditar, mas a mente continua a ser pilar das acções e do coração.
Acima de tudo gosto de lutar por pessoas, quer no trabalho quer no dia-a-dia. Gosto de gostar das pessoas também pelo que diferem de mim. Custa. Nem sempre consigo. Perco a paciência e a atenção, desligo. Mas também gosto de conquistar, de ser reconhecida, de saber chegar. Tem sido cada vez mais difícil surpreender!
O entusiasmo é ocasional. A emoção esporádica. E talvez por isso tenham tanto valor. As certezas e convicções, essas sim, alegram, por caminhos tortos, às vezes.

E afinal engano-me tantas vezes, assumo noções distorcidas, dou como certo o errado, e como errado o talvez... sem antes viver, experimentar, não me deve ser permitido afirmar convictamente o que gosto e é melhor para mim.

Porque afinal têm sido uma surpresa, estes dias a observar, a aprender, a entusiasmar-me. Não sei até quando, mas mais uma lição já não deixo fugir.

E, na fidelidade que procuro para mim, há lugar para o incerto...

"ralações"...

























Os pais sabem sempre muito.
O meu "pai", embora não se caracterize por uma idade avançada, tem já alguma experiência de vida que eu não tenho e algumas reflexões a mais do que eu. Há dias falava com o meu pai, em passeio pela calçada, e ele dizia-me que há coisas que aos 18, 22, 24 anos não podemos perceber, ainda não vivemos o suficiente. Fiquei a pensar nisso. É lógico isto, até óbvio, mas mexe com o meu sistema nervoso a influência da maturidade das pessoas em tudo o que implica o ser humano. Tenho eu que esperar pelos 28 ou 30 para perceber determinadas coisas, relativizar outras, deixar os sonhos de menina descer à terra e aguardar ainda que a maior parte do meu círculo de amigos, que tem uma idade próxima à minha, atinja também o tal estado adulto!? Pois se a vida é em directo e as oportunidades nos fogem por entre dedos, onde está a essência de tudo isto?

No mesmo dia em que passeei com o meu pai, encontrei inesperadamente uma daquelas pessoas que entrou na minha vida há uns anos e não sairá a não ser com a força de alguma doença, daquelas que afectam a memória. A meio de uma conversa casual apercebo-me que estou num processo de autonomia desde 1999. Isto poderia não ter qualquer interesse, se 9 anos não me definissem, e no meio de tantas qualidades que procurei desenvolver, a incapacidade de perceber que o outro pode ser diferente de mim e igualmente válido não surgisse também, nas alturas em que menos convém... Ser autónoma, quase independente, num processo gradual tem o seu quê!?


Ando ralada com as pessoas e sem paciência para elas. Ralo-me ao longe. Já sabia que funcionava mais ou menos por ciclos, motivações e necessidades. Sinto-me a voltar a um tempo até recente, com os mesmos desafios interiores, e semelhantes desafios externos, acrescidos somente pela dificuldade inerente aos conhecimentos adquiridos. É suposto caminharmos em frente, aprendermos com os erros, mas sinto-me a sentir o mesmo, a fugir do mesmo, a lutar pelo mesmo, a reagir da mesma maneira, que há um tempo atrás... Não terei eu dado um passo em falso em algum momento da minha vida que precise de ajustar!?


Tenho o vírus nómada reactivado em mim... mas desta vou contrariá-lo e tentar não me ralar tanto!?

terça-feira, setembro 16, 2008

chegadas...


Um auditório com muitas pessoas. Antes disso um átrio com muitos "brancos", todos "arranjadinhos", bronzeados, regressados de uma praia ou viagem qualquer. Um 'susto' mal abafado pelas palavras. Depois um senhor sabido, palavras vãs, alguns senhores a falar de si, do que não fazem e dizem acreditar. Ao outro dia uma enfermaria, muitos doentes, muitas batas brancas, muita gente já atarefada. Um balanço geral, pouco balanceado, uma tentativa de perceber o caminho certo, numa odisseia em que ninguém me perguntou se queria participar.
E tudo está escuro... lá fora e cá dentro. Assim pequeno, perdido, sigo a única linha que consigo ver.

segunda-feira, setembro 15, 2008

"ilógicas"...




Tenho vindo a pensar e a falar sobre pessoas e relações.

Há dias dei por mim a pensar que as pessoas, assim como tudo na natureza, têm papeis específicos, que não devem ser ocupados por outros.
A mãe é mãe. Por mais amiga que possa ser, tem que cumprir o seu papel de mãe, ser por vezes conselheira, por vezes alarmista, autoritária, irritante, galinha, atenta e perspicaz. Ninguém pode substituir este papel de mãe, nem as avós, ditas "mães duas vezes".

O pai é normalmente a figura mais "temida na casa". "Pede ao teu pai!; Já falaste com o teu pai?" O pai, às vezes, é mais sensato que a mãe, consegue pôr de lado o instinto maternal, que não tem, e ver com mais clareza. O pai conforta, chama à atenção, fala só com o olhar. Ninguém pode ser pai, a não ser o próprio.
O irmão/irmã depende já em si do número de filhos, da relação que os pais incutem, da diferença de idades, de sexo. Mas o irmão é o amigo das ocasiões várias, sabe alguns segredos, é protector e conselheiro. Quanto mais adulto, mais aprende e domina a sua "posição", aprende a ser paciente e a gostar mais ainda. O irmão é muito importante, porque, e de acordo com as leis naturais, quando os pais se vão, é o irmão o "pilar e a casa".
Os avós são aqueles que nos olham de cima, não percebem tudo e nem têm que perceber. Devem ser acarinhados e reconhecidos, porque, em última instância, são a base da pirâmide. Dão todos os mimos que, por "lei", não são permitidos aos pais, no decurso da boa educação dos filhos.
Os tios e primos, os próximos afectivamente, são a alegria da família, os laços descontraídos, os "pontos de abrigo". Dão número e cor, ajudam ao equilíbrio.

Os amigos, "amigos há muitos". Há os bons e os menos bons, os mais loucos e mais "certos", os mais próximos e os de momento. Os amigos nem sei... são as relações mais inconstantes. Variam com a idade, com as circunstâncias da vida, com as mudanças de cada um, com outros amigos. É difícil preservar amigos, não os conhecidos, mas os amigos. Preservar os contactos, os afectos, os pontos comuns.

Os melhores amigos também variam, com outra série de factores. Passada a adolescência não pode haver "o melhor amigo", a vida não o permite, revelaria imaturidade nas relações. Têm o papel fundamental de ouvir e ouvir, as maiores barbaridades e confidências.

O namorado/namorada é tudo o que todos estes não são e mais um pouco de cada um. Não são mãe nem pai, embora às vezes pareçam, não são só amigos, embora seja parte essencial da relação; não são os melhores amigos, caso contrário não se poderia falar do namorado/namorada aos melhores amigos.
Os conhecidos, vão e vêm... ás vezes iludimo-nos com um desconhecido, na expectativa de que possa ser um novo amigo, outras vezes surpreendemo-nos com quem à primeira vista não passava de um mero desconhecido desinteressante.


No fundo, falar de pessoas e relações não é mais do que um desperdício de tempo, meio ridículo até, pela ambiguidade e incoerência que implica, para além da falta de razão. Mas é de pessoas e de relações que vivemos, em constante mutação. Porque tudo isto faz sentido hoje para mim, nenhum sentido para ti, amanhã deixa de ser a minha realidade, passa a ser a dele... e as pessoas vão ser sempre pessoas e relacionar-se entre si, com o objectivo último e comum de se sentirem acolhidas, queridas e amadas.

terça-feira, setembro 09, 2008

3º espaço...

Eu... voltei...



Mas parte de mim...


sexta-feira, julho 18, 2008

roleta...


Sei um ninho.

E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...

Miguel Torga


E o poema do dia é...

sexta-feira, julho 04, 2008

passado, presente e futuro...





"Everyone will be remembered and if that’s the case, you have to ask yourself: how do you want your story to go? How do you want to be remembered? By what you did for a living? What you accomplished? Or how you made people feel?

Every day’s another chance for you to decide who you want to be. A chance to challenge yourself. To be a different version of you, a braver version. A person who isn’t afraid to grab joy and take it for a spin.

Letting go is never easy because hanging on to the past feels good. But sometimes, it’s only when you let go that you can make room for the rest of your life to show up. But as hard as you think it will be to leave the old you behind sometimes when you do it’s the most alive you’ve ever felt. "

by Marin Frist at “Men In Trees"

quinta-feira, julho 03, 2008

Noite(s) dentro...

























São dias que passam
são horas que vão
são lábios que cantam
são mãos que se dão
e deixam saudades
de não ser assim
toda a vida a vida de agora



É tempo é tempo
de aprender a ser
subindo por dentro
e sempre a crescer
pisando caminhos
esquecendo talvez
o deserto de ontem sozinho




Tudo quanto penso
tudo quanto sou
é grande é imenso
é tudo o que dou
e ao dá-lo recebo
e fico maior
do que sou quando me nego




Criança era outro
cresci e esqueci
a aposta da vida
ganhei e perdi
o risco me trouxe
até ao que sou
nunca basta a vida que foi



(Hélder Ribeiro/ Judy Collins)

sexta-feira, junho 20, 2008

sensibilidade...

sem bom senso...






















not again ??

segunda-feira, junho 09, 2008

...

musicalidades...



Já é noite e o frio
está em tudo que se vê
lá fora ninguém sabe
que por dentro há vazio
porque em todos há um espaço
que por medo não se ve
onde a solidão se esquece
do que o medo não previu

Já é noite e o chão
é mais terra para nascer
a água vai escorrendo
entre as mãos a percorrer
todo o espaço entre a sombra
entre o espaço que restou
para refazer a vida
no que o medo não matou

mas onde tudo morre tudo pode renascer

em ti vejo o tempo que passou
vejo o sangue que correu
vejo a força que moveu
quando tudo parou em ti
a tempestade que não há em ti
arrastando para o teu lugar
e é em ti que vou ficar

já é dia e a sombra
está em tudo que se ve
lá fora ninguém sabe
o que a luz pode fazer
porque a noite foi tão fria
que não soube acordar
a noite foi tão dura
e difícil de sarar

mas onde tudo morre tudo pode renascer

em ti vejo o tempo que passou
vejo o sangue que correu
vejo a força que moveu
quando tudo parou em ti
a tempestade que não há em ti
arrastando para o teu lugar
e é em ti que vou ficar

eu já descobri a casa onde posso adormecer
eu já desvendei o mundo e o tempo de perder
aqui tudo é mais forte e há mais cor no céu maior
aqui tudo é tão novo tudo pode ser meu

mas onde tudo morre tudo volta a nascer

em ti vejo o tempo que passou
vejo o sangue que correu
vejo a força que moveu
quando tudo parou em ti
a tempestade que não há em ti
arrastando para o teu lugar
e é em ti que vou ficar

já é dia e a luz
está em tudo que se vê
cá dentro não se ouve
o que lá fora faz chover
na cidade que há em ti
encontrei o meu lugar
é em ti que vou ficar.




Eu não sei quantas vezes te vais matar até eu cair
Eu não sei quantas vezes vais fugir para não voltar
Eu não sei qual das fugas iguais será excepção
E talvez um dia seja eu a largar a mão

Eu quero ver quantas vezes me vais ferir até ganhar
Quero saber se o que vem te dá razões para confiar
e entender que eu te sei sarar, te sei fazer feliz

Hoje vou-te querer roubar outra vez
Hoje vou-te querer provar outra vez
Vem viajar e ficando para depois... os dois...

E ninguém te vai prometer que é para sempre a paixão
E ninguém te vai jurar que é o fim da solidão
Mas eu não te sei apagar sem que possas entender:
o que o acaso nos mostrou a razão fez esquecer...

Porque eu sei que existir ao pé de ti é bem melhor
Eu sei que depois da tempestade vem azul
Eu já sei de cor o espaço do teu corpo para mim

Hoje vou-te querer roubar outra vez
Hoje vou-te querer provar outra vez
Vem viajar e ficando para depois... os dois...

Eu não sei quantas vezes te vais matar até cair
Mas se é tão fácil escurecer e tão simples eu fugir...

Hoje vou-te querer roubar outra vez
Hoje vou-te querer provar outra vez
Vem viajar e ficando para depois,
os dois.


Gosto mesmo. De tudo.
Há mais em "O Jardim"...