Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.
Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...





A Declaração do Milénio, adoptada em 2000, por todos os 189 Estados Membros da Assembleia Geral das Nações Unidas, veio lançar um processo decisivo da cooperação global no século XXI. Nela foi dado um enorme impulso às questões do Desenvolvimento, com a identificação dos desafios centrais enfrentados pela Humanidade no limiar do novo milénio, e com a aprovação dos denominados Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (MDGs) pela comunidade internacional, a serem atingidos num prazo de 25 anos, nomeadamente:
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Foram ainda aí estabelecidas metas quantitativas para a maioria dos objectivos, com vista a possibilitar a medição e acompanhamento dos progressos efectuados na sua concretização, ao nível global e nacional.

Ontem fui à missa. Uma missa onde estamos sentados no chão, onde se ouvem músicas que chegam ao coração, que nos amolecem a alma e onde há um espaço de partilha para quem assim o desejar. Ultimamente tem-me irritado ir lá, por duas razões. A primeira é que, embora as homilias sejam muito acertadas, concretas, objectivas e aplicadas à vida real, os senhores padres falem muito bem, e o que dizem tem sentido, soam-me a teorias "cor-de-rosa". É um optimismo que nem sempre consigo perceber, acompanhar. Não sei se é algum sentimento subconsciente de raiva, por nada do que ouço se enquadrar com o que sinto, e por isso rejeito, se é por de facto a vida não ser de todo assim. Tenho um amigo que me dizia que aquelas missas eram uma "farsa", porque transmitiam à pessoas uma ideia da vida que depois não correspondia à vida real, ao que as pessoas têm que enfrentar e ao que os próprios oradores viviam. Deixou-me sempre a pensar. Tenho a noção de que é importante receber sinais de confiança, de esperança, palavras sábias, algumas bem verdade. Mas também tenho noção de que quando saímos daquela porta tudo é diferente, nada é fácil como nos fazem parecer. Estilo "olha para o que eu digo, não olhes para o que acontece."
A segunda coisa que me me deixa inquieta, no seguimento da visão cor-de-rosa do mundo, são as partilhas da maior parte das pessoas, que me soam a "hipócritas", que mostram uma ânsia de dizer seja o que for para fugir ao silêncio, porque esse sim, pode ser revelador.
Ontem ouvi algumas coisas que registei mentalmente para tentar não me esquecer, porque as faço exactamente ao contrário e não fazem de mim uma pessoa melhor, nem me ajudam a fazer felizes os que estão à minha volta. Espero que, mais do que ouvir atentamente ou admirar o que é dito, pela maneira como é dito, as pessoas retirem de cada missa algo que lhes torne os dias melhores, no meio das dificuldades e atribulações, algo que seja motivação de seguir em frente. Os PPP: pouco, pequeno e possível.



