segunda-feira, maio 19, 2008

piadética...





Quem se enquadra???

«Os "vinte", nos homens, são uma fase da vida em que se fundem, de uma forma incontrolável e quase imprevisível:
1. a constatação das nossas limitações físicas, mentais, biológicas (ou genéticas, se quiseres), culturais e de educação (o "input" durante a nossa infância, basicamente) - e simultaneamente uma luta contra estas restrições.
2. a procura de vermos satisfeitos os nossos desejos e impulsos sexuais mais selvagens e irreprimíveis (em termos práticos, vemos muitas mulheres que nos agradam / provocam, por um motivo ou por outro - não necessariamente só físico, e queremos "dominá-las" e "esgotar" este factor "desconhecimento e curiosidade", sendo a forma última dessa "possessão" a posse sexual - desculpa ser tão rude, mas os nossos instintos de reprodução controlam! depois é uma questão do quanto nos conseguimos "controlar" para os "evitar"...)
3. assunção de uma razão de ser e viver (que na maior parte das vezes tentamos relacionar e justificar, quase inconscientemente, com uma área vizinha à da nossa actividade profissional), associada à tentativa de se lutar pelos nossos objectivos "pessoais" (estes objectivos são, simplesmente, a resposta que damos à questão "Se não tivéssemos limitações de qq ordem, o que realmente gostaríamos de ter, ser e fazer?").
4. uma crescente necessidade de racionalizarmos o nosso comportamento e, em geral, do "funcionamento" de todos os detalhes deste mundo
5. a consciência entre a necessidade de se optar pelo vector variedade (+, no sentido de "festa!") e instabilidade (-, no sentido de "areias movediças") ou pelo par uniformidade (-, no sentido de "seca!") e estabilidade (+, no sentido de "protecção").
6. a tentativa de não admitirmos os (ou alguns) dos pontos anteriores.

Assim, se procurares uma justificação para o comportamento de um homem numa relação (pelo menos nesta década dos vinte, inícios de trinta), geralmente podes encontrar a resposta nos pontos 2 e 5. Também, por vezes, o ponto 3 pode desempenhar um papel (caso os objectivos de ambas as partes da relação sejam bastante distintos). O ponto 1 geralmente serve como estabilizador da relação. O ponto 4 pode entrar em jogo se a mulher tiver comportamentos demasiadamente "estranhos" (o que é bem diferente de "imprevisível"!). O 6 é a rebeldia que fica da década anterior... e é este ponto que o homem usa quando conta histórias rocambolescas à sua "companheira", tentando explicar o que se passa de "menos bom" na relação. Infelizmente, EM GERAL, são mesmos os outros pontos que mandam.»

fonte não revelada


encontros...

























Hoje fui almoçar com um grande amigo, daqueles que vem dos tempos de caloira, quando não vislumbrava sequer o que seria a minha vida por Coimbra. Mas já na altura sabia que podia contar com ele, porque já na altura era das poucas pessoas com quem me sentia em sintonia em vários campos da minha vida, pela sensatez, os valores,
princípios, objectivos de vida... Fomos fazendo um percurso mais ou menos semelhante, com alguns encontros e desencontros. Estudamos o mesmo curso, na mesma faculdade, fizemos ambos Erasmus no país da língua romântica, interessa-nos o mundo e as viagens, as pessoas e o seu lado humano. Faltava-nos um ponto de ajuste. África. Hoje fomos almoçar, não só porque gostamos de nos manter informados acerca um do outro, nesse processo a que chamam de amizade, mas também porque ele regressou de um mês em África há pouco tempo e ainda não tínhamos tido oportunidade de partilhar os sentimentos, as desilusões, as angústias, as ideias reformuladas depois de pisar a realidade africana. Quando ele saiu do carro fiquei a pensar sozinha na conversa que tivemos. Apercebi-me que vim de África há demasiado tempo, se não estou em erro, 3 de Setembro de 2005, e quando estamos demasiado tempo afastados de algo, alguém ou algures, reformulamos a nossa imagem para uma imagem romântica, idealista. Quero muito voltar a África, desta a um país ainda mais carente de sonhos, carente de pão, de mãos, de vontades, objectivos, justiça, paz... escreveria mais umas quantas carências. Quero voltar para não esquecer, para lembrar, para sentir. Quero conseguir ver Deus lá, nas pessoas, nos olhares, na terra, nos buracos das estradas, na ausência.. descobri-Lo mesmo onde o mundo é tão pouco digno. Dizia ele.. "é por isso que as pessoas lá não deprimem, não podem ter depressões". Pois não... nós é que deprimimos porque temos acesso a demasiadas coisas, a demasiadas tentações. "Só uma intervenção política podia salvar aquele continente". Utopia pura. O meu pai, "sábio que doí", no fim-de-semana tentou explicar-me a lógica de África. Continente escravo a vida toda, jogado ao abandono. O que esperamos nós afinal? A minha irmã dizia que se até nós portugueses, em democracia há 30 anos estamos como estamos, como queremos ver África em progresso?
Questões de uma história interminável, num continente que em mudança, parece ter estagnado no tempo. Não consigo chegar a respostas, pensar sequer em conclusões. O meu papel é uma incógnita, procuro percebê-lo. A vontade de ser cidadã voltou, o sonho de ver uma África de cidadãos é quase um atentado à inteligência.
Mas anseio para breve o reencontro.


domingo, maio 18, 2008

the point of (no) return...



Acordei com uma vontade súbita de escrever. Tantas coisas me passaram pela cabeça, textos completos, as coisas que repentinamente me apeteciam partilhar aqui.

Percebi que não tenho escrito, não só por preguiça, mas porque "não tenho assunto"... ou tenho assuntos que de algum modo me sinto inibida de escrever aqui.. Então percebi que a minha vida anda "sem assunto", ou melhor, assuntos há, mas deixo-os passar ao lado de tão centrada que ando nas minhas hérnias umbilicais.
Sempre em sintonia com a "minha Inês", a minha primeira motivação de escrita foi o Sr. Jaime, um doente de 70 e poucos anos, que vimos na semana passada. Um senhor, de olhos cor do céu, um sorriso estampado, um misto de alegria, nostalgia e resignação no olhar, a simplicidade de um homem do campo que toda a vita lutou e trabalhou "no ganha pão", desde a agricultura aos camiões pesados. "Sei tocar saxofone, clarinete", e mais algum outro instrumento que já não recordo. Tocava na banda lá da terra, mas "agora já ninguém quer saber"...
"É casado?" "Viuvo, infelizmente." As filhas tomam conta do pai, aparentemente atenciosas, os netos "só querem saber de sair à noite".
O Sr. Jaime tem uma estenose aórtica, dá-lhe muito cansaço e falta de ar. "Nestes últimos tempos já mal saio de casa... nem sei.. estou para lá sozinho, quase que pareço um velho".
O Sr. Jaime não sabe que foi o momento mais bonito desse meu dia. Também não sabe que me fez perceber que andava a viver a vida toda do avesso.
Simultaneamente a isto voltei a fazer diariamente o "exame de consciência", onde percebi que, de facto, consciência tenho tido pouco. De que me queixo afinal? De ser tão feliz que não posso aguentar com tanta felicidade?
Não... mas hoje acordei com vontade de voltar a escrever, assim como com vontade de secar as lágrimas, com vontade de me (re)encontrar, de lutar por mim, pelo que está esquecido, pela vida tenho tenho e pela qual só posso dar graças.
Amanhã não sei como vou acordar, mas deixo que este registo me recorde o propósito de hoje para os dias que se seguem.


quinta-feira, maio 08, 2008

em seco...

quinta-feira, abril 24, 2008

perpetua...


"Sim, sei bem

Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.

Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser."

FP

quarta-feira, março 19, 2008

pedras...


No Meio do Caminho


No
meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento n
a vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.


Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

match point...



Dispensa comentários..

Obrigada H.


para rir..

Nilton TV







Quando:
- não há nada para fazer
- não apetece fazer nada
- apetece rir
- é mesmo preciso rir
- acordamos deprimidos
- não queremos adormecer deprimidos
- ... enfim...

É só perder um pouco de tempo a procurar os vídeos mais divertidos. Há para todos os gostos!



terça-feira, fevereiro 26, 2008

ego...

Mais uma música das "playlists" da TSF..
Gosto da letra desta, percebe-se perfeitamente porquê...




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nem sei...






Ouço dizer que caminhamos para a santidade...
Se somos humanos a caminhar para o divino ou divinos a tentar ser mais humanos...?
O que faz de mim mais "ser" é o que sou capaz de me revelar nos outros. A minha entrega subtil, discreta, atenta, cuidada, preocupada...
A procura romântica do altruísmo idealista...

O homem que de si é tão pequeno e tão mesquinho, a quem só as suas entranhas interessam em tudo o que faz, mesmo quando se convence que é em prol do outro.
A ilusão própria e inabalável das subconsciências hipócritas ainda que por vezes inconscientes. E o engano viciado, alimentado por palavras meigas, das pessoas ditas mais sábias e conhecedoras desta espécie, não mais que animal, que foi privilegiada com o dom da razão, para o qual não tem medidas de uso...

E que há de nefasto em tudo isto se o mais próximo vem mesmo a lucrar, ainda que envolto no egocentrismo de outro, que não quer nada mais que o reconhecimento e a gratidão...
E o que de tão errado julgo eu, se em vez de um ganham dois, e as felicidades se alimentam continuamente tal qual "favores em cadeia"..?


E o que fará de mim mais humana?

segunda-feira, janeiro 28, 2008

curtas...

"Olha para o que eu te digo, não olhes para o que eu faço..."








Não faço nada do que escrevo...

sábado, janeiro 26, 2008

Literatura...

Dos tempos em que devorava livros como agora devoro chocolates...






“Quando te sentires perdida, confusa, pensa nas árvores, lembra-te da forma como crescem. Lembra-te de que uma árvore com muita ramagem e poucas raízes é derrubada à primeira rajada de vento, e de que a linfa custa a correr numa árvore com muitas raizes e pouca ramagem. As raizes e os ramos devem crescer de igual modo, deves estar nas coisas e sobre as coisas, só assim poderás dar sombra e abrigo, só assim, na estação apropriada, poderás cobrir-te de flores e de frutos. E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera a volta a esperar. Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te, e vai para onde ele te levar”


Susanna Tamaro - “Vai aonde te leva o coração”

Liberdade...

Porque foi, é e será sempre um tema muito presente...





“Cada um de nós é, no fundo, um ideia ilimitada da liberdade. Devemos rejeitar tudo aquilo que nos imponha limites. Aliás… dispomos de todas as possibilidades, da mais absoluta liberdade de escolha. Como num livro, onde cada letra permanece para sempre na página, a nossa consciência tem o direito de decidir o que quer ler e o que prefere deixar de parte…”



Richard Bach

Silêncio...

A ambiguidade do silêncio em mim e nos outros.
A ambiguidade do silêncio que apazigua e que desconcerta...





“Um homem dirigiu-se a um convento de clausura, isto é, um convento onde se vive longe do ruído da cidade e num silêncio desejado. Perguntou a um desses monges:
- Que aprendeis vós com a vossa vida de silêncio?

O monge estava a tirar água de um poço. Disse ao seu visitante:
- Olha para o fundo do poço. Que vês lá dentro?

O homem olhou para dentro e disse:
- Não vejo nada.

O monge ficou algum tempo sem se mover e no final disse ao visitante:
- Contempla agora. Que vês no fundo do poço?

O homem obedeceu e respondeu:
- Agora vejo-me a mim próprio: espelho-me na água.

O monge concluiu:
- Vês? Quando eu mergulho o balde, a água fica agitada. Agora, pelo contrário, está tranquila. É esta a experiência do silêncio: o homem vê-se a si próprio.”

E porque não?...

Last but not the least...



"O que o eu tem de único encontra-se precisamente naquilo que o ser humano tem de inimaginável. Só consegue imaginar-se o que é idêntico a todos, o que é comum a todos. O "eu" individual é aquilo que se distingue do geral, e é, portanto, aquilo que primeiro é preciso desvendar, descobrir, conquistar no outro."



"Eu não sei como o compendio suave de nossa existência pode estar atrelado a grosseira condição de nosso corpo. Nós, que nos pensamos seres feitos de idéias somos, na verdade, um fato incontestável e frágil como um galho. Talvez seja também fato as idéias das quais pensamos ser feitos, ou ainda o galho também seja uma idéia. Pouco importa. O que importa é a leveza dos movimentos não se curvarem ao vento, mas aos músculos. As concepções políticas estarem em células, e nossos sentimentos condicionados ao tempo que durar nosso sanguíneo fluxo ."



“Todos nós temos necessidade de ser olhados. Podíamos ser divididos em quatro categorias consoante o tipo de olhar sob o qual desejamos viver: A primeira procura o olhar de um número infinito de olhos anónimos ou, o olhar do público(…) Na segunda categoria, incluem-se aqueles que não podem viver sem o olhar de uma multidão de olhos familiares. São os incansáveis organizadores de jantares e de coktails. São mais felizes que os da primeira categoria porque, quando estes perdem o público, imaginam que as luzes se apagaram para sempre na sala da sua vida. É o que, mais dia menos dia, lhes acontece a todos. Os desta segunda categoria, estes sim, acabam sempre por conseguir arranjar os olhares que precisam. Vem em seguida e terceira categoria, a categoria daqueles que precisam de estar sempre sob o olhar do ser amado. A sua condição é tão perigosa como a das pessoas do primeiro grupo. Se os olhos do ser amado se fecham, a sala fica mergulhada na escuridão. Finalmente, há uma quarta categoria, bem mais rara, que são aqueles que vivem sob os olhares imaginários de seres ausentes. São os sonhadores.”




domingo, dezembro 16, 2007

registos...




Uma série de sábado à tarde, na RTP1. Não sei qual é, desconheço totalmente e nem devo voltar a ver, mas no meio dos acontecimentos que não consegui acompanhar ao longo do episódio, a propósito de uma miúda de 16 anos que tinha acabado de tirar a carta de condução (EUA), e que tinha medo de conduzir e transportar o irmão, por poder pôr em risco a vida dele, um qualquer senhor respondeu algo deste género.. que tentei não me esquecer e registei:



"Ser adulto implica não só arriscar o nosso bem-estar, mas arriscar o bem-estar dos outros... na condução, nas decisões, no trabalho, nas relações, no amor."

risos...




importado:



«Carlos Barreira da Costa , médico Otorrinolaringologista da mui nobre e Invicta cidade do Porto, decidiu compilar no seu livro "A Medicina na Voz do Povo", com o inestimável contributo de muitos colegas de profissão, trinta anos de histórias, crenças e dizeres ouvidos durante o exercício desta peculiar forma de apostolado que é a prática da medicina. E dele não resisti a extrair verdadeiras jóias deste tão pouco conhecido léxico que decidi compartilhar convosco.

O diálogo com um paciente com patologia da boca, olhos, ouvidos, nariz e garganta é sempre um desafio para o clínico:

"A minha expectoração é limpa, assim branquinha, parece com sua licença espermatozóides".

"Quando me assoo dou um traque pelo ouvido, e enquanto não puxar pelo corpo, suar, ou o caralho, o nariz não se destapa".

"Não sei se isto que tenho no ouvido é cera ou caruncho".

"Isto deu-me de ter metido a cabeça no frigorífico. Um mês depois fui ao Hospital e disseram-me que tinha bolhas de ar no ouvido".

"Ouço mal, vejo mal, tenho a mente descaída".

"Fui ao Ftalmologista, meteu-me uns parafusinhos nos olhos a ver se as lágrimas saíam".

"Tenho a língua cheia de Áfricas".

"Gostava que as papilas gustativas se manifestassem a meu favor".

"O dente arrecolhia pus e na altura em que arrecolhia às imidulas infeccionava-as".

"A garganta traqueia-me, dá-me aqueles estalinhos e depois fica melhor".



As perturbações da fala impacientam o doente:

"Na voz sinto aquilo tudo embuzinado".

"Não tenho dores, a voz é que está muito fosforenta".

"Tenho humidade gordurosa nas cordas vocais".

"O meu pai morreu de tísica na laringe".



Os "problemas da cabeça" são muito frequentes:

"Há dias fiz um exame ao capacete no Hospital de S. João".

"Andei num Neurologista que disse que parti o penedo, o rochedo ou lá o que é...".

"Fui a um desses médicos que não consultam a gente, só falam pra nós".

"Vem-me muitos palpites ruins, assim de baixo para cima...".

"A minha cabecinha começa assim a ferver e fico com ela húmida, assim aos tombos, a trabalhar".

"Ou caiu da burra ou foi um ataque cardeal".



Os aparelhos genital e urinário são objecto de queixas sui generis:

"Venho aqui mostrar a parreca".

"A minha pardalona está a mudar de cor".

"Às vezes prega-se-me umas comichões nas barbatanas".

"Tenho esta comichão na perseguida porque o meu marido tem uma infecção na ponta da natureza".

"Fazem aqui o Papa Micau (Papanicolau)?"

"Quantos filhos teve?" - pergunta o médico. "Para a retrete foram quatro, senhor doutor, e à pia baptismal levei três".

"Apareceu-me uma ferida, não sei se de infecção se de uma foda mal dada".

"Tenho de ser operado ao stick. Já fui operado aos estículos".

"Quando estou de pau feito... a puta verga".

"O Médico mandou-me lavar a montadeira logo de manhã".



As dores da coluna e do aparelho muscular e esquelético são difíceis de suportar:

"Metade das minhas doenças é desfalsificação dos ossos e intendência para a tensão alta".

"O pouco cálcio que tenho acumula-se na fractura".

"Já tenho os ossos desclassificados".

"Alem das itroses tenho classificação ossal".

"O meu reumatismo é climático".

"É uma dor insepulcrável".

"Tenho artroses remodeladas e de densidade forte".

"Estou desconfiado que tenho uma hérnia de escala".



O português bebe e fuma muito e desculpa-se com frequência:

"Tomo um vinho que não me assobe à cabeça".

"Eu abuso um pouco da água do Luso".

"Não era ébrio nato mas abusava um pouco do álcool"

"Fujo dos antibióticos por causa do estômago. Prefiro remédios caseiros, a aguardente queimada faz-me muito bem".

"Eu sou um fumador invertebrado".



O aparelho digestivo origina sempre muitas queixas:

"Fui operado ao panquecas".

"Tive três úlceras: uma macho, uma fêmea e uma de gastrina".

"Ando com o fígado elevado. Já o tive a 40, mas agora está mais baixo".

"Eu era muito encharcado a essa coisa da azia".

"Senhor Doutor a minha mulher tem umas almorródias que com a sua licença nem dá um peido".

"Tenho pedra na basílica".

"O meu marido está internado porque sangra pela via da frente e pinga pela via de trás".

"Fizeram-me um exame que era uma televisão a trabalhar e eu a comer papa".

"Fiz uma mamografia ao intestino".

"O meu filho foi operado ao pence (apêndice) mas não lhe puseram os trenos (drenos), encheu o pipo e teve que pôr o soma (sonda)".



Os medicamentos e os seus efeitos prestam-se às maiores confusões:


"Ando a tomar o Esperma Canulado"- Espasmo Canulase

"Tenho cataratas na vista e ando a tomar o Simião" - Sermion

"Andei a tomar umas injecções de Esferovite" - Parenterovit

"Era um antibiótico perlim pim pim mas não me fez nada" - Piprilim

"Agora estou melhor, tomo o Bate Certo" - Betaserc

"Tomo o Sigerom e o Chico Bem" - Stugeron e Gincoben

"Ando a tomar o Castro Leão" - Castilium

"Tomei Sexovir" - Isovir

"Tomo uma cábulas à noite".

"Tomei uns comprimidos "jaunes", assim amarelados".

"Tomo uns comprimidos a modos de umas aboborinhas".

"Receitou-me uns comprimidos que me põem um pouco tonha".

"Estava a ficar com os abéticos no sangue".

"Diz lá no papel que o medicamento podia dar muitas complicações e alienações".

"Quando acordo mais descaída tomo comprimidos de alta potência e fico logo melhor".

"Ó Sra. Enfermeira, ele tem o cu como um véu. O líquido entra e nem actua".

"Na minha opinião sinto-me com melhores sintomas".



O que os doentes pensam do médico:


"Também desculpe, aquela médica não tinha modinhos nenhuns".

"Especialista, médico, mas entendido!".

"Não sou muito afluente de vir aos médicos".

"Quando eu estou mal, os senhores são Deus, mas se me vejo de saúde acho-vos uns estapores".

"Gosto do Senhor Doutor! Diz logo o que tem a dizer, não anda a engasular ninguém".

"Não há melhor doente que eu! Faço tudo o que me mandam, com aquela coisa de não morrer".


Em relação ao doente o humor deve sempre prevalecer sobre a sisudez e o distanciamento. Senão atentem neste "clássico":

"Ó Senhor Doutor, e eu posso tomar estes comprimidos com a menstruação?
Ao que o médico responde: "Claro que pode. Mas se os tomar com água é capaz de não ser pior ideia. Pelo menos sabe melhor." »

sábado, dezembro 15, 2007

artigos...




Hoje tive a oportunidade de ver o Expresso de ponta a ponta e ir lendo o que me interessava. Fiquei desapontada por falar tão pouco da Cimeira Europa-África... parece que numa semana a importância mediática se desvaneceu ou será que realmente nada foi feito ou dito de relevante?


Li entretanto a crónica do Miguel Sousa Tavares que me deixou meio perturbada e fui ver se a encontrava já on-line para um "copy-past". Um misto de verdade com exagero. Críticas duras "ao circo em que este país se encontra". Nas entrelinhas que chegam a antever um futuro próximo assustador dei por mim a pensar se neste país há apenas "palhaços"!? Creio que não, ainda sim é um "gritador" de consciências.


procurar aqui, onde há mais uns tantos.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

searching...





Procuro miséria na wikipédia e encaminha para pobreza:


"A pobreza pode ser entendida em vários sentidos, principalmente:

- Carência energética para mudar o que não pode ser mudado, o impossivel esta dentro de vossa mente, a superação dos paradigmas faz a ponte de um estado-baixo em estado-alto. Falta de auto-estima, baixa espiritualidade."




Procuro tristeza e aparece o seguinte:


"Tristeza ou desgosto é um sentimento humano que expressa desânimo ou frustração em relação a alguém ou algo. É o oposto da alegria. A tristeza pode causar reações físicas como depressão nervosa, choro e insônia.
A tristeza pode ser originada da perda de algo ou de alguém que se tinha de muito valor; esta emoção pode ser potencializada se aquele que sofre de tristeza passa a acreditar que poderia ter feito algo para recuperar ou evitar a perda, mesmo que este algo a fazer seja na prática impossível de se concretizar, e independe da vontade do triste.
É comum a tristeza ser descrita como algo amargo, ou como uma dor, ou como sentimento de incapacidade, ou ainda como algo escuro (trevas).
A tristeza pode ser a consequência de emoções como o egoísmo, a insegurança, a baixa
auto-estima, a inveja e a desilusão."



Procuro felicidade e não fico satisfeita. Continuo a procurar e encontro isto:


“Podemos ficar desanimados por sentirmos que, no nosso trabalho, tudo começa a desmoronar-se. Deus pretende mostrar-nos que é com Ele que devemos contar acima de tudo, sem desistirmos do nosso próprio esforço. O resultado dos nossos trabalhos será incomparavelmente melhor do que se nos apoiássemos apenas nas nossas próprias forças e na ilusória convicção das nossas capacidades.”






Há alturas em que oscilo entre a miséria e a tristeza por já não ter forças nem capacidades em que me apoiar.
Tenho a sensação que são pedidos humildes e discretos de Deus para voltar a confiar.
Devia ter começado pela felicidade...

segunda-feira, dezembro 10, 2007

versos...



Há Dias


Há dias em que julgamos
que todo o lixo do mundo
nos cai em cima
depois ao chegarmos à varanda avistamos
as crianças correndo no molhe
enquanto cantam
não lhes sei o nome
uma ou outra parece-me comigo
quero eu dizer :
com o que fui quando cheguei a ser luminosa
presença da graça
ou da alegria
um sorriso abre-se então
num verão antigo
e dura
dura ainda.



Eugénio de Andrade
de Os lugares de Lume