sexta-feira, setembro 14, 2007




"Regresso"


«Quando eu voltar,
que se alongue sobre o mar,
o meu canto ao Creador!
Porque me deu, vida e amor,
para voltar...
Voltar...
Ver de novo baloiçar
a fronde magestosa das palmeiras
que as derradeiras horas do dia,
circundam de magia...
Regressar...
Poder de novo respirar,
(oh!...minha terra!...)
aquele odor escaldante
que o humus vivificante
do teu solo encerra!
Embriagar
uma vez mais o olhar,
numa alegria selvagem,
com o tom da tua paisagem,
que o sol,
a dardejar calor,
transforma num inferno de cor...
Não mais o pregão das varinas,
nem o ar monotono, igual,
do casario plano...
Hei-de ver outra vez as casuarinas
a debruar o oceano...
Não mais o agitar fremente
de uma cidade em convulsão...
não mais esta visão,
nem o crepitar mordente
destes ruidos...
os meus sentidos
anseiam pela paz das noites tropicais
em que o ar parece mudo,
e o silêncio envolve tudo
Sede...Tenho sede dos crepusculos africanos,
todos os dias iguais, e sempre belos,
de tons quasi irreais...
Saudade...Tenho saudade
do horizonte sem barreiras...,
das calemas traiçõeiras,
das cheias alucinadas...
Saudade das batucadas
que eu nunca via
mas pressentia
em cada hora,
soando pelos longes, noites fora!...
Sim! Eu hei-de voltar,
tenho de voltar,
não há nada que mo impeça.
Com que prazer
hei-de esquecer
toda esta luta insana...
que em frente está a terra angolana,
a prometer o mundo
a quem regressa...
Ah! quando eu voltar...
Hão-de as acacias rubras,
a sangrar
numa verbena sem fim,
florir só para mim!...
E o sol esplendoroso e quente,
o sol ardente,
há-de gritar na apoteose do poente,
o meu prazer sem lei...
A minha alegria enorme de poder
enfim dizer:
Voltei!...


Alda Lara, Angolana


Como curiosidade, esta poesia foi escrita em 1948, quando a autora viveu alguns anos em Coimbra e Lisboa, onde se formou em medicina. Voltou, na verdade, e faleceu em 1962, em Cambambe, ANGOLA»

quarta-feira, setembro 12, 2007

sensações...

Sinceridade.
Cumplicidade.
Confiança.
Partilha.
Tranquilidade.
Afecto.
Amizade.



(...)

sexta-feira, setembro 07, 2007

enter...


Voltei... não que tenha partido, mas voltei.
Partir implica deixar, largar... não abandonado mas bem entregue.
Partimos se temos confiança, ainda que medos.
O regresso é sempre ambíguo.
Querer ficar... longe do que é realmente nosso. Longe de quem precisa verdadeiramente de nós, de quem não esquece e anseia que voltemos. Longe da agitação, do "ram-ram", das confusões e chatices, problemas e dificuldades, inventados por nós na maior parte das vezes. Ficar lá... longe de tudo e de todos, onde a vida é uma ilusão passageira e enganadora, que dispara o botão do sonho e da imaginação.
Voltar aqui. Ao presente, passado e futuro. Voltar com as baterias talvez não tão carregadas como queríamos, talvez a precisar de alimento. Voltar ao que afinal nos pertence, à nossa casa, às nossas missões.
É como uma balança de dois pesos, em que um dos pratos afinal não tem mais do que ideias, tem como única função fazer acreditar que ainda é possível, para não destruir as esperanças vãs que vamos criando.
Tirando rasgos de loucura que a poucos pertencem, a sensatez é sempre vencedora deste conflito interior. Acabamos por regressar e encontrar tudo como deixámos. Tudo estagnado como se por cá o vento não tivesse soprado. Acabamos por sentir que não pertencemos bem aqui mas não temos outro lugar para onde ir..
Mas depois passa-se um dia, passam-se dois... e deixamos de nos sentir perdidos para voltarmos ao conforto, à tranquilidade, à paz interior. Porque afinal estamos onde sempre quisemos estar.

domingo, julho 29, 2007

manta de retalhos...























Férias.
Merecidas, aguardadas...

E agora?
Uma sensação intemporal.
Os dias que não fazem parte de semanas, as horas que não têm começo nem fim.

Não há compromissos, não há obrigações.

Palavra de ordem: descansar!? gozar!? relaxar!?

Sensação de liberdade..
Descoberta, partidas... chegadas...
Estar, dormir, deslumbrar...

Praia, sol, mar.
Avião, comboios, terras e nomes...


(Sensação de vazio...!?!?)

segunda-feira, julho 16, 2007

apatia...

Não sei se é falta de tempo, de assunto, de motivação ou de coragem..
Mas não consigo passar por aqui...!


sexta-feira, junho 29, 2007

...




Porquê?
Porque sim!
Como?
Nem sei... muito!
Desde quando?
Não lembro!
Até quando?
Escolhia a eternidade!
Onde?
Em qualquer parte do mundo!

quinta-feira, junho 28, 2007

"vale tudo"...


Inventem-se novas tecnologias da comunicação!!


terça-feira, junho 19, 2007

saltos...





"Há tempo para tudo!!"
- dizia a minha mãe. Não se cansava de repetir.
Havia tempo para brincar, para dormir para comer. Havia tempo para crescer, tempo para sair e procurar.
"Não queiras viver as coisas antes do tempo.." - insistia a minha mãe com muita tranquilidade e segurança no que dizia.
Às vezes não percebia, ficava irritada. Não havia tempo para tudo. Queria viver tudo, antes que o tempo se esgotasse. Queria correr à frente do tempo.. desde pequenina.
"Cada coisa a seu tempo" - a mãe relembrava!

Comecei a pensar. Comecei a perceber. Entendi. Palavras simples, palavras sábias.
Já não queria "a carroça à frente dos bois", um dia de cada vez, sim. Dois dias num não!
Tempo a tempo... pé ante pé. Nem demasiado depressa, nem demasiado devagar. A seu tempo... com tempo. A saborear, a apreender, a discernir.

Às vezes ainda me esqueço.. e tropeço!! Depois lá me levanto e volto a atinar com os ponteiros do relógio.

Sem pressa, sem precipitações, sem "sofreguidão"... o tempo chega para tudo!!

segunda-feira, junho 18, 2007

momentos...

Ronha...




Apetece!?!?

sábado, junho 16, 2007

sentidos...

















Há dias em que o universo conspira contra nós. Há dias em que o Universo gira em torno do nosso eixo.

Há dias em que as palavras são como agulhas. Há dias em que não são precisas palavras.
Há dias em que precisamos espernear e gritar à janela. Há dias em que precisamos de abraços.
Há dias em que choramos até esgotar lágrimas. Há dias em que sorrimos como crianças.
Há dias em que o mais fácil é desaparecer. Há dias em que lutar é palavra de ordem.
Há dias em que a tristeza se apodera.. Há dias em que acreditar basta.


Ha dias para tudo. Há dias para todos. Há dias e dias. Há dias que se prolongam em semanas e dias que se estendem a meses. Há dias que dão valor a outros dias. Há dias que ocultam o sentido dos dias.

Há dias que valem a pena e há dias que valem mesmo a pena. Todos os dias valem a pena.

Basta haver dias, viver os dias, saber esperar pelos dias...



Por ti que esperas dias de sol...
Por ti que fazes dias de sol...

sexta-feira, junho 15, 2007

sincronizar...

segunda-feira, junho 11, 2007

inquietações...


Estou com "medo" de estar a "meter a pata na poça"...


domingo, junho 10, 2007

passos...























Primeiro passo




Complicamos, fazemos o fácil difícil. Somos exigentes e mesquinhos. Esperamos respostas onde não fazemos perguntas. Procuramos no escuro porque fugimos da luz com medo de nos cegar.
Nada está perdido. "No universo nada se perde, tudo se transforma".
Novos ventos, novos rumos.
Para (re)aprender a andar é preciso cair.





Estou em (des)equilibrio...

quarta-feira, junho 06, 2007

decisões...

É preciso coragem para arriscar e saber perder para aprender a ganhar.
Não sei ao certo que coragem é essa ou de que fonte vem o impulso. Enfrentar medos e ganhar coragem para "o tudo e o nada", para o que foi, o que é e o que será.
Sonhamos e alimentamos expectactivas, vindas de um lugar mais ou menos incerto, próprias da natureza humana que não se explica... nem tem que ter lógica ou racionalidade no que toca às emoções.
Somos dotados da "tal alma" que não traz livro de instruções e que difere de ser humano para ser humano. É a nossa grandeza e a nossa pequenez, a nossa salvação e "desgraça".
Somos o que somos e o tempo que perdemos não nos dá respostas..
Procuramos o desconhecido em busca da felicidade que está mesmo ao alcance do óbvio.
Procuramos porque é essência. Sonhamos porque precisamos de motivações para lutar e alcançar...
Um passo de cada vez, num caminho que muda de rumo tal como os ventos mudam de direcção. Se vamos em direcção ao farol não sei, mas que seguimos "a luz" é certo.



"No universo nada se perde, tudo se transforma!!"
Em que nos transformamos? Em que transformamos o que somos, as nossas relações, a nossa maneira de estar?





terça-feira, junho 05, 2007

picos...



Fotossíntese :)



SOL --> contentamento!!
CO2 --> contrariedades!!!
H2O e sais minerais --> motivações!!!

O2 --> atitude!!!

Sou como as plantas!! Faço fotossíntese... preciso do sol e da água, preciso respirar calor, absorver a luz!!
Todos temos os nossos "motores", os nossos "alimentos" e as nossas "alavancas"!
Precisei do sol para arrancar, para recordar que "a vida é bela" e que vale a pena sorrir e continuar a sorrir.
Tudo vale a pena...

Todos "fazemos fotossíntese", resta perceber com quê...

quinta-feira, maio 31, 2007

trancas...


"When one door of happiness closes, another opens; but often we look so long at the closed door that we do not see the one which has been opended for us."


Helen Keller

segunda-feira, maio 28, 2007

preto&branco...

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de facto...
" a música certa para mim "

sexta-feira, maio 25, 2007

links...




"A luz que invade Lisboa derruba os meus medos e traz-me sensações guardadas há muitos tempos, quando os dias não tinham fim e as noites eram folgas que dava a mim própria a fim de descansar o corpo para novas brincadeiras. A luz que invade Lisboa traz fogo de vida à cidade, veste-a com uma cor que nenhuma outra no mundo tem, dá-lhe um encanto de menina e moça, faz de Lisboa saudade, palavra nossa, repartida de boca em boca.
Lisboa, cidade minha, cidade que roubei para amar eternamente, minha cidade. Hoje que renasces, olho-te da janela e vejo-te inteira, o Tejo, os barcos, o reflexo do sol na água, quase que ouço as conversas dos pescadores esquecidos no tempo, a azáfama das pessoas que correm, os prédios de todas as cores, as mil ruas cruzadas, o eléctrico que passa vagarosamente, o amarelo da Carris, ao longe canta-se o fado e perde-se uma vida de desgosto de amor, no céu mais azul que outros céus um avião desenha o que eu quiser ver, andorinhas voam em direcção a lugar nenhum, Lisboa, tu que assistes a tudo isto, tu que és maestro desta perfeita sinfonia, continua a deixar-te sempre invadir por esta luz triunfal, que apaga a chuva que há dias me escorria da cara, e me dá tanta vontade de viver assim, feliz – como os pescadores esquecidos no tempo, ou o eléctrico que passa, ou as andorinhas que voam em direcção a lugar nenhum...
"



aqui....

assim...


NÃO SAIBAS: IMAGINA...




Deixa falar o mestre, e devaneia...
A velhice é que sabe, e apenas sabe
Que o mar não cabe
Na poça que a inocência abre na areia.


Sonha!
Inventa um alfabeto
De ilusões...
Um á-bê-cê secreto
Que soletres à margem das lições...


Voa pela janela
De encontro a qualquer sol que te sorri!
Asas? Não são precisas:
Vais ao colo das brisas,
Aias da fantasia...


Miguel Torga

sábado, maio 19, 2007

fotópsias...






Tenho saudades tuas,
minhas,
da vida que passa ao lado
e eu não sinto o vento que sopra...

Mas hei-de voltar, volto sempre!